Onde tudo começa... em um sonho? (Parte 13)

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Vinícius Dottaviano
viniciuspsique@hotmail.com
 

Cren√ßas a parte, sempre acreditei que todos n√≥s nascemos por uma quest√£o c√°rmica, porque carma significa a√ß√£o... A vida √© uma constante a√ß√£o, movimento, transforma√ß√£o e rea√ß√£o aos nossos desejos, atitudes e emo√ß√Ķes. Quando estudamos e nos aproximamos da espiritualidade compreendemos que n√£o somos prisioneiros(as) do nosso destino. Compreendemos tamb√©m como as coisas acontecem e come√ßamos a mudar o que √© poss√≠vel para uma vida melhor. Nesse sentido, n√£o h√° v√≠timas do carma, nem senhores(as) totalmente donos(as) do seu pr√≥prio destino.

Preconizo que o primeiro passo na compreens√£o do carma, na procura da expans√£o da consci√™ncia e no processo de liberta√ß√£o; sei que n√£o √© nada f√°cil assumir nossas responsabilidades frente a tudo o que nos cerca. E tamb√©m, n√£o s√£o poucas as vezes que nos sentimos derrotados, olhando a vida e as pessoas como fonte de incompreens√Ķes e tristeza. N√£o mudamos a morte ou a doen√ßa de algu√©m, como tamb√©m n√£o mudamos a realidade de um desapego, ou a fome do mundo. Mas nem por isso devemos negligenciar nossas atitudes di√°rias frente a a√ß√Ķes poss√≠veis. Muita coisa pode ser transformada com nossas atitudes, acreditem...

Outros dados; mesmo uma associa√ß√£o ou casamento, um namoro pode se transformar com nossas a√ß√Ķes... Conhecer a si pr√≥prio(a), compreender as pessoas, entender o que motiva suas atitudes, e olhar profundamente para nosso interior e entender se continuamos aceitando ou n√£o a forma de conviver com o outro, pode finalizar um carma.

Uma exemplo de uma paciente de tempos atr√°s, me faz lembrar de frases como: ‚ÄúVoc√™ acha que posso terminar meu casamento??? Ser√° que estou fugindo do meu carma???‚ÄĚ. Sempre tentando explicar que se casou para preencher um vazio que sentia desde o t√©rmino de um (ou v√°rios) relacionamentos antigos e que pensou que tudo daria certo com o atual parceiro porque a pessoa parecia ser uma boa pessoa, honesto e trabalhador, mas foi percebendo que se sentia triste, desmotivada e sem nenhum est√≠mulo para ficar com ele. Descobriu que n√£o o amava mais... Ou ser√° que nunca amou??? (crivo meu).

Expliquei que precisamos ser honestos(as), em primeiro lugar, para com nossa própria consciência. Não podemos mentir para nós mesmos(as), nem fugir do que realmente sentimos. Sempre falo também para todos os amigos(as), familiares e pacientes que se ainda existir amor, vale a pena continuar e lutar para ficar bem, para perdoar o(a) outro(a), para entender os desafios que a convivência nos coloca no caminho. Porém, se não existe amor, com certeza os outros elos são de dependências e interesses.

Preconizo novamente que, ficar com alguém porque achamos que é uma relação cármica não é um pensamento correto. Seria correto mentir para nós mesmos(as)??? Fazer de conta que amamos alguém e ficar o tempo todo com raiva ao permanecermos ao lado dessa pessoa??? Será que nosso parceiro ou parceira merece ser ignorado ou traído???

Claro que cada caso √© um caso, cada hist√≥ria tem suas nuances e cada rela√ß√£o tem v√°rios aprendizados importantes. Sou completamente a favor do casamento e das rela√ß√Ķes afetivas est√°veis porque quando ficamos perdidos(as) procurando algu√©m, as emo√ß√Ķes ficam muito atormentadas e dificilmente as pessoas encaram com a devida tranquilidade a solid√£o e o tempo de pausa entre os relacionamentos. Parece at√© que ficar s√≥ √© uma conquista de almas s√°bias, j√° que ficar s√≥ para pessoas bem resolvidas n√£o √© um peso. √Äs vezes, √© uma fase importante na vida onde surgem outras prioridades e aprendizados. Mas n√£o estou nesse texto analisando a solid√£o e sim o t√©rmino de um carma.

Voltando a minha paciente, ela percebeu que estava na hora de terminar, até porque quando ela me procurou já estava meio resolvida a mudar sua vida e sentia no coração que se continuasse com o parceiro faria mal para ambos. Ela havia percebido que estava se tornando irritadiça e negativa na convivência e com isso se sentia culpada e em seguida acorrentada à relação, não conseguindo ver possibilidades de mudança.

Por fim, ela disse que não havia sido criada para se separar e nunca imaginara que isso aconteceria com ela. Mas aconteceu e a vida mudou e por que não aceitar as mudanças??? Ela agora podia interagir na sua história. Poderia claramente escolher mudar o seu caminho, seu destino e foi o que fez, mesmo sabendo que correria riscos e reconhecendo que a vida é cheia de surpresas, de fatos incontroláveis e de mudanças. Pensou muito e chegou à conclusão que poderia até errar na sua escolha de se separar, mas sentiu que precisava ser fiel ao seu coração.

Muitos ensinamentos nos ensinam que a sabedoria est√° em olhar para nossa vida com muita clareza mental para tomar uma a√ß√£o correta e libertadora. Mudar o carma e o destino √© poss√≠vel, mas √© preciso coragem para enfrentar o novo e correr riscos. Devemos lembrar tamb√©m que algumas hist√≥rias s√£o fadadas a terminar. Algumas pessoas v√™m para esta vida para viver duas ou mais rela√ß√Ķes afetivas. N√£o h√° uma medida padr√£o, nem respostas absolutas e, enquanto estivermos vivos(as), as coisas podem acontecer e o carma pode se resolver.


Continuo na semana que vem

Boa Semana



Vinícius Dottaviano
Doutorando em Psicologia da Arte (Unicamp), Mestrado em Artes e Educação (Unicamp), Pós-Graduação em Psicoterapia Cognitiva/Comportamental (UNIAnchieta de Jundiaí), Bacharelando em Direito pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Psicologia pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Dança e Artes Corporais (Unicamp) e Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUCC.
Email: viniciuspsique@hotmail.com




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