Frustração no relacionamento entre pais e filhos

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Maria Regina Canhos Vicentin
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O relacionamento entre pais e filhos sempre foi, e continuará sendo, alvo de conflitos. Basicamente não estamos preparados para ser pais, no entanto, somos todos filhos. Desde pequeninos buscamos a aprovação e o reconhecimento das pessoas que são importantes para nós, entre elas, nossos pais. Nem sempre é fácil agradar, e muitos filhos realmente não conseguem, pois alguns pais fazem exigências demais, e se recusam a aceitar os filhos com as características que lhe são peculiares. Isso pode gerar uma grande frustração, tanto nos pais quanto nos filhos. Tais lembranças poderiam ficar para trás, não fosse o fato dos filhos, um dia, tornarem-se pais.

Como pais, os filhos passam, mesmo que inconscientemente, a comparar o modo de criação que tiveram no passado, com a que dispensam a seus próprios filhos, no presente. Normalmente, as mágoas que não foram adequadamente resolvidas, voltam a atormentar. É comum filhos que foram duramente exigidos, serem mais liberais quando pais, pois sabem o quanto sofreram nas mãos de seus próprios pais.

A forma de expressar afeição é outro ponto que pode trazer divergências entre pais e filhos. Alguns pais entendem que os filhos precisam se sentir valorizados, e constantemente os incentivam e elogiam. Outros pais temem que os filhos, ao serem elogiados, sintam-se soberbos, e desdenhem a seus próprios pais, por isso, economizam nos incentivos e nas palavras doces, carregando na disciplina e exigências. Nada do que o filho fizer será suficientemente bom. Qualquer filho criado dessa forma fica realmente irado ao se tornar pai, pois acaba espelhando, com pesar, nas fases do próprio filho, muitas das situações em que teve mérito na infância, e não foi reconhecido. Isso porque quaisquer pais de mediana inteligência são capazes de avaliar os progressos de sua criança, a eficiência escolar, e o seu bom comportamento.

Alguns pais nunca foram elogiados, então, encontram enorme dificuldade em elogiar. Se o fazem, no entanto, lembram que assim não foi feito com eles, e lamentam o tempo perdido e a falta de reconhecimento de seus próprios pais. É por isso que o relacionamento entre pais e filhos é tão complexo. Pois, todo aquele que hoje é pai, já foi filho, e não consegue esquecer a forma como foi tratado por seus pais. Nem todo filho, no entanto, será pai; mas os que forem, invariavelmente irão relacionar a forma como foram tratados enquanto filhos, ao tratamento dispensado à própria prole.

Importa que façamos aos outros o que desejamos que nos façam. Independente dos títulos “pai” ou “filho”, o que existem são pessoas. Pessoas que desejam ser amadas, reconhecidas, valorizadas, por suas características inatas ou adquiridas. Se você hoje é pai, com certeza já foi filho, e entende o que estou escrevendo. Se você é filho, entende parcialmente, mas um dia poderá entender muito mais. Tratar o outro como gostaria de ser tratado, com amor e respeito, é a melhor forma de assegurar que se minimizem as frustrações no relacionamento entre pais e filhos.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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