Arrependimento e perdão

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Neste tempo de quaresma se fala muito em conversão. Mas, o que é conversão? Comumente ouvimos dizer que conversão é mudança de vida. Deixar para trás o homem velho, com seus antigos costumes, para dar lugar ao homem novo, disposto a uma nova vida. No entanto, para que possamos assumir uma postura renovada, é imprescindível que tenhamos consciência de nossos erros. Somente aquele que entra em contato com suas falhas pode experimentar o arrependimento e, consequentemente, fazer propósitos melhores. Verifico com pesar, entretanto, que a cada dia é menor o número de pessoas que realizam um exame de consciência visando identificar possíveis deslizes e faltas. A maioria se esmera em justificar seus atos, quase sempre atribuindo a culpa aos outros. É impressionante como tal expediente acaba funcionando para confortar a própria consciência, e minimizar a sensação de culpa advinda dos delitos praticados em desacordo com o que sabemos ser adequado.

Em situações menos comuns, mas nem por isso menos frequentes, uma das pessoas experimenta o arrependimento, no entanto, não obtém o perdão do ofendido. Perdoar implica em passar uma borracha, recomeçar, e algumas pessoas simplesmente não estão dispostas a dar uma nova chance a quem errou. Pode parecer absurdo, mas isso ocorre até mesmo nos meios religiosos, em que se esperaria haver maior propensão ao perdão. No fundo, tal acontece porque perdoar é custoso e envolve intenso trabalho interior. Implica na aceitação de que todos somos humanos, portanto, imperfeitos e passíveis de cometer erros. Algumas pessoas crêem estar acima do bem e do mal. Unicamente não falham. Então, privam o outro de conforto emocional e espiritual. Sem perceber incorrem em grave erro, pois se creditam iguais a Jesus, a quem foi destinado o julgamento dos homens (Jo 5, 22).

Foi exatamente por isso que o Mestre, em sua passagem pela terra, fez questão de afirmar que deveríamos perdoar não uma vez, nem duas ou três, mas setenta vezes sete (Mt 18, 21-22), ou seja, sempre. Somente o perdão aos demais irá assegurar que nossas orações sejam ouvidas e que sejamos igualmente perdoados pelo Pai (Mc 11, 25). Perdoar é tão importante para nós quanto para àquele a quem devemos perdoar. No entanto, nosso coração duro insiste em querer fazer “cara de mau”, relegando o outro ao silêncio, à indiferença e ao desprezo. Quem erra nem sempre o faz de forma proposital, mas se pede perdão é porque reconhece que magoou o outro. Negar-lhe conforto emocional equivale a negar conforto próprio, pois perdoar é caridade que se faz não apenas com o próximo, mas consigo mesmo.

Finalizando, vale dizer que o arrependimento sincero assegura o perdão divino, ainda que não haja o perdão humano (do ofendido), pois Jesus já pagou por nossas faltas. Como mencionado em outras ocasiões, a conversão é bastante pessoal. E como disse Madre Tereza ao terminar um de seus lindos poemas: “Veja que, no final das contas, é entre você e Deus. Nunca foi entre você e as outras pessoas”.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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