Olimpíada Brasileira de Estatística está com inscrições abertas para estudantes do ensino médio e técnico

imagem 1 - inscrições abertas OBE

Organizada por alunos do ICMC, a prova contempla interpretação de dados e raciocínio lógico em estatística; inscrições podem ser feitas até 24 de abril e são gratuita para estudantes de escolas públicas

Criada para aproximar estudantes do ensino médio e técnico  da cultura de dados, a Olimpíada Brasileira de Estatística (OBE) abre inscrições para a segunda edição da prova, após atrair mais de 7,5 mil participantes em sua primeira realização. As inscrições podem ser realizadas até 24 de abril através do formulário: https://shre.ink/olimpiadadeestatistica. As inscrições são gratuitas para alunos de escolas públicas. Para escolas particulares, há uma taxa a partir de R$ 49,90, que varia de acordo com o número de estudantes inscritos. O cadastro deve ser realizado exclusivamente pelas escolas, por meio de um professor orientador, não sendo permitida a inscrição individual.

A Olimpíada tem como propósito mostrar que a estatística vai muito além da matemática e do cálculo. Trata-se de uma ferramenta essencial para a cidadania e para o letramento de dados. As provas priorizam o raciocínio lógico, com questões mais contextualizadas, textos explicativos e foco na interpretação de gráficos e dados.

A competição é dividida em duas etapas. A primeira fase, de caráter individual, ocorre de 24 a 30 de maio e contempla 20 questões de múltipla escolha. Já a segunda fase, realizada em grupos de até  três alunos, será realizada de 30 de agosto a 5 de setembro e corresponde a quatro questões dissertativas.  A OBE é realizada  na própria escola do estudante.

O resultado da classificação para a segunda fase está previsto para o período de 20 a 24 de julho, enquanto o resultado final será divulgado dia 7 de dezembro.

Para facilitar a logística de divulgação local e a entrega de medalhas, certificados e outras premiações, a OBE está expandindo sua presença física. Haverá polos em algumas universidades federais e estaduais.

De acordo com os organizadores, o sucesso da primeira edição é resultado do empenho de escolas e alunos e aponta para o potencial de expansão do projeto.

“Existe um forte engajamento das escolas e dos estudantes com a educação e com a estatística, conectando o conteúdo da sala de aula com a compreensão da realidade”, afirma Kauan Yuri Garcia de Souza, aluno de Estatística e Ciências de Dados do ICMC e um dos organizadores.

A ideia dos organizadores é que, no futuro, a OBE  funcione como um um meio de ingresso às universidades.

Sobre a OBE

A Olimpíada de Estatística do Brasil é pioneira no Brasil e também nas Américas. A iniciativa surgiu de estudantes da graduação em Estatística e Ciência de Dados do ICMC, que queriam mostrar que a estatística está presente no cotidiano e oferece diferentes possibilidades de atuação profissional. Com isso, os estudantes procuraram a professora Daiane de Souza Santos, do ICMC, para coordenar o projeto. A docente, que aponta fragilidades no ensino de estatística na educação básica, identificou na proposta um caminho para formar cidadãos mais críticos, capazes de interpretar dados e tomar decisões informadas. Sob orientação da coordenadora, durante o primeiro semestre de 2025, o grupo de estudantes atuou em quatro escolas da rede pública, tendo como público-alvo estudantes do ensino médio. Inicialmente, foi aplicada uma avaliação diagnóstica para identificar o nível de conhecimento dos alunos. Ao final das atividades, uma nova avaliação foi realizada para medir o aprendizado e alinhar expectativas em relação às provas da OBE. A partir dessa experiência, os estudantes se organizaram em diferentes frentes para finalmente estruturar a Olimpíada Brasileira de Estatística, criando setores responsáveis por áreas como elaboração e correção de provas, comunicação, recursos humanos e relações institucionais.

Kauan afirma que participar do projeto transformou sua visão sobre a universidade. “A maior parte das pessoas, quando entra na universidade, acredita que o conhecimento vai ficar restrito às salas, laboratórios e aulas expositivas. Só que um projeto de extensão como a OBE comprova o enorme potencial que a universidade pública tem de dialogar com a sociedade, gerar impacto e criar experiências que agregam à vida pessoal e profissional”, relata.

Para a coordenadora, o projeto envolve toda a comunidade escolar em um propósito maior. “Qualquer projeto de olimpíada contribui muito para a educação básica no Brasil. Estimulamos os jovens a estudar, a participar da prova e os professores também se envolvem porque vão ser os mentores, adquirindo novos conhecimentos”, destaca.

A primeira edição foi totalmente gratuita. Agora, a organização estuda diferentes formas de tornar o projeto financeiramente sustentável, enquanto segue em busca de recursos para viabilizar sua expansão em nível nacional.

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