Miopia em jovens impulsiona cirurgia refrativa

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OMS estima que no Brasil 40% dos casos de miopia estão concentrados em  pessoas de 20 a 30 anos.  

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde)  mostram que em 2025 o  Brasil atingiu um total  de 31,8  milhões de míopes. O País  vive uma mudança silenciosa: a miopia começa cada vez mais cedo. Mas concentra na população entre  20  e 30 anos o maior número de casos de miopia – 40% do total contra 70% nos países asiáticos.

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro da ABCCR (Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa)  entre jovens a condição deixa de ser apenas biológica. Passa a impactar na produtividade, mobilidade e qualidade de vida. Nos consultórios, ressalta,  o efeito é direto:  cresce a procura pela cirurgia refrativa dos que têm de 25 a 35 anos. Isso porque, explica, nesta faixa etária o grau está estabilizado, diminuem o desempenho,  muitos jovens, especialmente as mulheres,  não gostam de usar óculos e uma parcela importante não se adapta às lentes de contato.

Se você tem medo de passar pela cirurgia saiba que a segurança e satisfação dos pacientes que passaram pelo procedimento foi comprovada em estudo conduzido pelo  FDA, agência americana similar à ANVISA, NEI (National Eye Institute) e o  Departamento de Defesa dos EUA.

Intitulado PROWL (Patient-Reported Outcomes With Lazik), ou (Resultados Relatados pelo Paciente com Lasik) em tradução livre, o estudo mostra  que menos de 1% dos que passaram pela cirurgia teve dificuldade nas atividades habituais e mais de 95% ficaram satisfeitos com a visão.

Qual a melhor cirurgia

Queiroz Neto afirma que a melhor técnica cirúrgica é a que mais se adapta à espessura da córnea, condições do filme lacrimal, grau da miopia e estilo de vida de cada paciente.

Por exemplo, comenta, para pacientes que tem  córnea fina,  praticantes de esportes de alto impacto e agentes de segurança ou outras atividades que expõe os olhos  a traumas a técnica mais segura  é a PRK.  Isso porque consiste em raspar com um bisturi as células do epitélio,  camada externa da córnea que tem grande  capacidade de regeneração.  Para se ter ideia a completa recuperação do epitélio acontece entre 48 e 72 horas. Apesar disso a recuperação é mais lente. A principal recomendação é não retirar a lente curativo antes de completar 72 horas.

Nas técnicas Lasik e Intralase  a visão é corrigida, recortando  uma lamela da córnea para remodelar com o laser seu formato. A diferença entre elas, é que no Lasik o corte é manual e no Intralase é feito pelo laser de femtosegundo  que torna o procedimento mais preciso.

“Para altos graus, córneas finas e pessoas com deficiência na produção da lágrima  a cirurgia mais indicada é o implante de  ICL,  uma microlente que fica  entre a íris, parte colorida do olho, e  o cristalino”, pontua. Queiroz  Neto ressalta que a ICL também é indicada para correção de astigmatismo que pode estar associado à hereditariedadel hereditariedade ou  quando a córnea toma um formato ovalado pelo hábito de coçar ou esfregar os olhos. O oftalmologista explica que isso provoca a def0rmação da córnea que passa a projetar imagens em vários pontos da retina, tornando a visão de perto e de longe distorcidas.  O implante não é indicado para hipermetropia, dificuldade de enxergar de perto, porque o espaço entre a córnea e a íris pode ser estreito em hipermetropes e a IC levaria ao desenvolvimento de glaucoma.

Novas terapias

Queiroz Neto ressalta que o aumento da miopia no mundo transformou o tratamento a partir da descoberta de que é a periferia da retina e não a retina que induz ao crescimento axial do olho – distância entre a córnea (lente externa) e a retina (fundo do olho).característica fisiológica de olhos com alta miopia em que o comprimento do olho émde 26mm ante 23 a 25 mm em olhos com comprimento normal.

A partir daí  foram desenvolvidos três  tipos de lente de contato e de óculos  para controlar o crescimento do olho.

São elas: lente de desfoque periférico, lentes com foco central menor para fortalecer o desfoque periférico e lentes multifocais  que adiciona alto poder de foco à visão periférica e à distância.

Queiroz Neto afirma que todas estas terapias funcionam e frequentemente a  prescrição é conjugada, conforme as características da criança.

Prevenção

A alta miopia, alerta,   estica  e fragiliza a retina que é  fina como um papel celofane, pode romper e levar à perda da visão. Outras condições graves desencadeadas  pelo avanço da miopia são a  catarata precoce, glaucoma e em casos extremos degeneração macular. Diversos estudos sugerem que apenas 30% estão  associados à genética. A  maior causa da miopia na infância é , sem dúvida ,o excesso de telas, diz o especialista.. Isso ficou demostrado em um levantamento realizado por Queiroz Neto com 360 crianças e foi comprovado durante a pandemia de Covid por pesquisa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

O oftalmologista ressalta que para  prevenção da miopia a AAO  (Academia Americana de Oftalmologia)  indica duas horas de atividades sob o sol/dia. Isso porque há evidências de que a exposição ao sol aumenta a produção de dopamina, hormônio do bem-estar que inibe  que o crescimento do olho.

Alimentação inadequada com excesso de  açúcar e   ultraprocessados  também devem ser evitada. Por outro lado, a dieta mediterrânea melhora a circulação do globo ocular e aumenta o resistência da esclera diminuindo a progressão

Os sinais de alerta que indicam emergência oftalmológica em altos míopes elencados por Queiroz Neto são:  enxergar inúmeras mocas volantes, flashes de luz, perda súbita da visão. Para viver melhor é preciso ver, conclui.

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