Uso de IA avança em todos os setores empresariais e 59% das empresas colocam a ferramenta entre suas principais iniciativas
Restaurantes, agências de publicidade e escritórios de advocacia ganham escala e tempo com inteligência artificial no dia a dia
Campinas, abril de 2026 – Criada em 1956, foi somente nos últimos anos que o uso da Inteligência Artificial (IA) ganhou velocidade entre os usuários e mais recentemente, entre as empresas de todos os segmentos e portes. Ela vem sendo empregada pelas empresas para auxiliar tarefas corriqueiras no dia a dia, ganhar escala operacional e aumentar lucros. A ferramenta dentro das empresas é um caminho sem volta. Segundo a pesquisa Panorama 2026, conduzida pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, 59% das companhias brasileiras já colocam a IA entre suas principais iniciativas para os próximos anos.
Outro estudo, realizado pela Fundação Seade, aponta que 47% da população do estado de São Paulo já utiliza ferramentas de inteligência artificial. Entre os motivos, o principal é para o trabalho, com 39% das respostas.
Nas empresas, o uso vem se expandido nos últimos dois anos. A IA é utilizada desde as grandes empresas, como pelas pequenas e médias, como restaurantes, startups, agências de publicidade e escritórios de contabilidade, por exemplo.
Há pouco mais de dois anos, o Restaurante Benedito, em Campinas, começou a utilizar a IA para solucionar uma dor própria e muito frequente entre as empresas do setor de alimentação fora do lar: a integração do mundo virtual com os clientes e aumentar o número de visitantes ao estabelecimento e o próprio faturamento da casa. “Foi quando criamos, poucos dias antes de um Dia dos Namorados, uma assistente virtual com Inteligência Artificial para organizar reservas e fazer o primeiro atendimento aos clientes que entravam em contato pelas redes sociais”, conta Mauro Mason, sócio do restaurante. “Um ano depois, resultado foi acima do esperado, com 771 clientes e 243 reservas na semana dos namorados”, acrescenta.
O projeto do Restaurante Benedito foi além do uso próprio. Ele serviu de embrião para a criação da startup Chef.Ai, voltada para ajudar na solução dos mesmos problemas de bares e restaurantes. “Empresários viam que isso funcionava e vários donos de restaurantes começaram a pedir informações e a implantação do sistema”, conta Matheus Mason, sócio do restaurante e CEO da Chef.Ai.
“Hoje estamos com mais de 50 clientes, desde grandes redes até pequenos restaurantes, utilizada desde o atendente, que vai conversar com o cliente, até gestão de mesas. É a IA ajudando nossa equipe humana a trabalhar com mais produtividade”, acrescenta.
A demanda verificada pelo executivo da Chef.Ai vai ao encontro das expectativas dos empresários do setor. Uma pesquisa realizada pela Abrasel revelou que 28% dos bares e restaurantes brasileiros já utilizaram IA em algum momento. Esse número demonstra um crescente interesse no uso desse tipo de tecnologia para otimizar operações, aprimorar a experiência do cliente e impulsionar o crescimento do negócio.
O interesse pela ferramenta em outros setores é relevante. Uma pesquisa realizada pela empresa Avantia mostra que 95,2% das organizações colocam a IA no topo das prioridades para 2026. O levantamento também mostra que a IA já entrega retorno financeiro. As organizações relatam ganho médio de US$ 1,49 para cada dólar investido, enquanto 92% dos primeiros adotantes afirmam obter retorno positivo. Esse cenário tem impulsionado novos aportes, com previsão de destinar, em média, 22% dos orçamentos de tecnologia para IA.
É o caso da agência de publicidade Mapple, que utiliza a ferramenta em sua rotina de trabalho, criação de imagens e desenvolvimento de vídeos, principalmente, há dois anos. “Hoje a gente usa IA em praticamente quase todos os processos, desde análise de mercado, estudos de pesquisa, projetos, planejamentos, insights de ideias e ate mesmo ferramentas que nos ajudam a avaliar se a ideia que nasceu aqui dentro não tem parecida fora do mercado”, conta Eduardo Baraccat, proprietário da agência. “A inteligência Artificial é um grande apoio, mas nunca vai substituir a ideia do publicitário”, afirma ele.
“A ferramenta melhorou a produção interna. O que antes demorava dias para fazer hoje fazemos uma campanha ou anúncio em questões de horas, pois a inteligência artificial ajuda a criar ideias com maior rapidez”, acrescenta.
Alexandre Blasco Gross, socio da Blasco Gross & Fontes Advogados, diz que a utilização da IA é algo bastante interessante. “Nossa equipe consegue fazer prospecção e pesquisas de doutrina e de jurisprudência conforme o caso que estamos defendendo dentro das áreas trabalhista e cível, agilizando os trabalhos”, explica o advogado. “Como fazemos muito consultivo no escritório, com muitas perguntas e consultas das empresas de diversos setores, como Recursos Humanos, comercial, tributário, a gente acaba ajudando os clientes com respostas rápidas, para tomadas de decisões” conta.
Apesar das grandes vantagens e dos benefícios que a inteligência artificial agrega na rotina das empresas, os empresários são unânimes em um ponto. “A IA é importante, mas não dispensa a presença dos humanos em nosso escritório”, diz Basco. O proprietário da Mapple tem a mesma linha de pensamento. “A IA nos ajuda, mas não substitui o processo criativo das pessoas na hora de fazer uma campanha”, afirma Baraccat.