Dólar em queda e melhora do humor com a evolução das negociações no Oriente Médio: o que fazer com minha carteira?
Especialista financeiro dá dicas sobre investimentos no cenário atual
A entrada de capital estrangeiro na bolsa de valores no Brasil vem batendo recordes. No mês de abril, o saldo positivo supera R$ 15 bilhões. Somado a isso, o aumento de reserva de moeda estrangeira força o preço do câmbio a cair, já cotado abaixo de R$ 5,00. Diante deste cenário, é o momento de investir em produtos internacionais? Mas, e a inflação? Selic?
Para o especialista em Finanças Sílvio Faria, há um sentimento positivo rondando o mercado nacional, que enxerga em um acordo de paz nos conflitos no Oriente Médio, uma possibilidade de continuidade de manutenção de uma política monetária mais expansionista e um ciclo de corte de juros, que pode trazer oportunidades para o mercado.
Para quem pensa em fazer investimentos neste momento, ele aponta diversas oportunidades. O mercado de bolsa de valores é uma opção interessante para diversificação de portfólio. “É nítido que os números avaliados mostram que apesar da alta recente e a proximidade aos 200 mil pontos, com sequências de recordes, muitos ativos estão baratos e com ótima perspectiva de valorização. Se confirmada uma continuidade de redução de Selic, a probabilidade desse movimento permanecer é altíssima”, diz ele.
“Porém, é importante lembrar que há uma eleição neste ano com muita polaridade se iniciando e que não deve ser tão linear essa possível evolução do Ibovespa, existindo espaço para muita variação de preços e volatilidade”, pondera Faria. Por essa razão, cautela é o nome do jogo. “Existem formas de operar protegido dentro do mercado de renda variável e cada investidor tem um suporte de segurança para ativos com variação, com uma carteira diversificada e com um percentual de exposição condizente ao perfil de cada tipo de investidor”, explica.
Os FIIs – Fundos de Investimentos Imobiliário – são excelentes opções para investimento no cenário atual, afirma ele, e que tem uma correlação negativa ainda mais forte com a queda de juros. “Eles se movimentam contrariamente aos produtos de renda fixa. Com a queda de rendimento dos produtos mais conservadores, os investidores buscam mais retorno e muitas vezes os fundos imobiliários são esse caminho, como um primeiro passo para se investir”.
Outros ativos que podem trazer resultados interessantes com esse movimento são aqueles atrelados ao chamado juro real, ou mais popularmente conhecido como inflação mais. Ativos esses que pagam o retorno do índice de inflação de varejo oficial do país, o IPCA, mais um rendimento pré-acordado de juros.
“A magia dessa estratégia é operar na variação da curva de juros, onde ativos podem entregar um resultado bem interessante, mesmo dentro da renda fixa, e com menos riscos que ativos de renda variável, na venda antecipada para outros investidores que aplicam à mais longo prazo”, comenta o especialista.
No mercado internacional, explica Faria, nota-se um recente movimento de redução na dolarização dos investidores, principalmente os institucionais. As constantes incertezas quanto à condução política e econômica no governo dos Estados Unidos, fizeram com que os investidores buscassem oportunidades em ativos de maior segurança como os metais, ouro e prata, além de ativos atrelados a commodities.
“Mais um motivo para a entrada de capitais em massa nesses últimos meses no país. Mesmo assim, principalmente para quem não tem posição em ativos internacionais ou tem menos do que seu perfil suporta, essa queda de câmbio é uma oportunidade interessante para envio de valores em contas internacionais com intuito de buscar oportunidade em ações de boa capitalização e fundos de índice, os chamados ETFs, na bolsa americana”, complementa Faria.