SindusCon-SP discute impacto da guerra
Aerial view at construction site on the sunset. Tall buildings and construction cranes.
Reunião de Conjuntura analisa cenários para a construção
O impacto dos aumentos de preços de materiais da construção e como isso afetará a construção ao longo do ano foram debatidos na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, em 22 de abril, conduzida por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia, com a participação de Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.
Na sua apresentação, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), reafirmou a previsão de que o PIB da construção em 2026 será melhor do que no ano passado. A execução de mais contratos de obras imobiliárias e de infraestrutura, e de mais obras de reformas e autoconstrução alavancadas pelo Programa Reforma Casa Brasil, respalda essa projeção. “A questão é saber se o aumento dos preços dos materiais afetará a previsão”, ressalvou a economista.
A propagação dos efeitos da guerra no Oriente Médio na construção – prosseguiu Ana Maria – se dá por três vias: aumento do diesel, afetando fretes; elevação dos preços do cimento, concreto e derivados (a massa de concreto já havia se elevado em 2,82% pelo INCC-10 de abril); aumento dos preços dos demais insumos produzidos com derivados do petróleo, como tintas e produtos de plástico. O INCC-10 de abril já começou a captar esses movimentos, com elevação de 0,98% nos preços dos materiais.
“Mesmo que a guerra termine, insumos da construção ainda tenderão a manter os preços elevados. Isto afetará principalmente a execução de obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida, cujos contratos são de difícil renegociação”, afirmou Ana Castelo. Ela ainda lembrou que a redução da escala de trabalho e a reforma tributária também afetarão os custos da construção.
Margens, produtividade e repasse
Robson Gonçalves, professor da FGV, comentou que cada segmento da construção deverá enfrentar o aumento de custos mirando margens, produtividade e possibilidade de repasse aos preços. Observou que estamos vivendo uma era de incertezas derivadas da ação do presidente dos EUA, Donald Trump, elevando a volatilidade dos preços dos ativos, e não só do dólar e do petróleo. No Brasil, acrescentou, perdemos as âncoras – a fiscal já havia sido perdida, disse.
Gonçalves atribuiu a desvalorização do dólar também à volatilidade e aos ganhos dos investidores derivados dessa volatilidade. O FMI projeta um aumento maior do PIB para o Brasil neste ano, por conta dos ganhos com o aumento do petróleo e uma matriz energética menos dependente de combustíveis fósseis – o que reforça o interesse dos investidores estrangeiros. Entretanto, isso não beneficia a construção civil, comentou o economista.
Também não se sabe o que esperar da política monetária, acrescentou Gonçalves, uma vez que os próprios diretores do Banco Central estão em dúvida em relação à continuidade da queda da taxa de juros. O mercado tem a percepção de que os juros não sofrerão a queda imaginada, e que a inflação se eleve pouco, mesmo com o aumento dos preços do petróleo. “Mas está difícil antever como tudo isso ainda afetará a construção. De qualquer forma, a incerteza tende a gerar aumentos de preços, e preços como os do petróleo poderão permanecer elevados por conta do dano provocado à extração do petróleo pela guerra”, afirmou.
SindusCon-SP – É a maior associação de empresas da indústria da construção na América Latina. Congrega aproximadamente 300 construtoras associadas e representa cerca de 50 mil empresas de construção residencial, industrial, comercial, obras de infraestrutura e habitação popular, localizadas no estado de São Paulo. Com sede na capital paulista, possui nove diretorias regionais: Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, Santo André, S. José do Rio Preto, S. José dos Campos, Sorocaba e uma delegacia em Mogi das Cruzes. A construção civil representa 3,6% do PIB do Brasil (IBGE/CBIC), e a construção paulista constitui 27,6% da construção brasileira (IBGE).
Roncon & Graça Comunicações
Jornalistas: Edécio Roncon / Vera Graça