Governança ganha protagonismo em ambiente de maior exigência regulatória e pressão por qualidade da informação
A governança corporativa entrou em 2026 mais associada à capacidade de execução, gestão de riscos e qualidade da informação do que a uma agenda apenas formal. No mercado brasileiro, o tema vem sendo impulsionado por novas exigências regulatórias, pelo amadurecimento das discussões sobre sustentabilidade e pelo aumento da pressão sobre conselhos e lideranças para lidar com riscos mais interdependentes, incluindo tecnologia, inteligência artificial, clima e capital humano.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que a aderência média das companhias abertas ao Código Brasileiro de Governança Corporativa – Companhias Abertas atingiu 68,2% em 2025, com crescimento acumulado de 17,1% desde 2019. O mesmo ambiente de discussão também vem sendo marcado pela presença mais forte de temas como inteligência artificial, pessoas e mudanças climáticas na agenda dos administradores e conselhos.
Ao mesmo tempo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou, em fevereiro de 2026, seu ofício circular anual com orientações gerais às companhias abertas, estrangeiras e incentivadas registradas no mercado brasileiro. Além disso, a Resolução CVM 218 determina a obrigatoriedade do Pronunciamento Técnico CBPS nº 02, emitido pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade, para exercícios sociais iniciados em, ou após, 1º de janeiro de 2026.
Na avaliação da Baker Tilly Brasil, empresa de auditoria e consultoria global, esse conjunto de movimentos confirma que a governança vem deixando de ser tratada como uma estrutura de conformidade apartada da operação para assumir papel mais estratégico, ligado à resiliência, à confiabilidade das informações e à sustentação das decisões.
“Governança hoje precisa ser entendida como infraestrutura de confiança. Em um ambiente em que riscos regulatórios, tecnológicos e reputacionais se cruzam com mais intensidade, empresas que revisam instâncias de decisão, controles, papéis e fluxos de informação tendem a responder melhor às demandas do mercado e dos seus stakeholders”, afirma Thiago Gherardi, sócio de GRC (Governança, Riscos e Compliance), da Baker Tilly Brasil.
Para a consultoria, o tema também ganhou novo peso entre empresas do middle market, seja por exigências de financiadores, investidores, clientes e parceiros, seja por movimentos de expansão, sucessão, profissionalização de gestão ou preparação para transações.
“A boa governança se materializa quando a empresa consegue transformar informação em critério de decisão, antecipar riscos e estabelecer responsabilidade clara sobre a execução. Isso vale tanto para companhias abertas quanto para empresas de médio porte que estão amadurecendo sua estrutura de gestão e precisam ganhar previsibilidade”, diz Thiago Gherardi.
Nesse cenário, a presença da Baker Tilly entre as maiores redes globais do setor aparece como pano de fundo natural dessa discussão. Em março de 2026, a rede global subiu duas posições e passou a ocupar o 8º lugar no ranking World Survey, do International Accounting Bulletin, em um movimento associado ao crescimento de suas receitas e à expansão das linhas de serviço em diferentes regiões.
A leitura da Baker Tilly Brasil é que esse tipo de avanço acompanha uma transformação mais ampla do mercado, em que auditoria, governança, riscos, sustentabilidade e consultoria passam a ser demandados de forma cada vez mais conectada.
Sinais de mercado que reforçam a agenda de governança
A governança corporativa no Brasil vem sendo puxada por três movimentos simultâneos. O primeiro é regulatório: a CVM tornou obrigatória, a partir dos exercícios iniciados em 2026, a adoção do Pronunciamento Técnico CBPS nº 02 – Divulgações Relacionadas ao Clima para companhias abertas.
O segundo é internacional: a Fundação IFRS registrou, em 2025, que 36 jurisdições já haviam adotado ou avançavam para adotar os padrões do ISSB, enquanto a Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO) manteve em seu programa de trabalho o apoio à implementação desses padrões nos mercados.
O terceiro é o aumento da complexidade do ambiente de risco: no Relatório de Riscos Globais 2026, o Fórum Econômico Mundial aponta um cenário marcado por fragmentação, aceleração tecnológica e instabilidade climática, temas que ampliam a pressão sobre conselhos, controles e qualidade da tomada de decisão.
Sobre a Baker Tilly
A Baker Tilly Brasil integra uma rede global presente em mais de 140 países e reconhecida como a 8ª maior rede global de contabilidade e auditoria no ranking World Survey do International Accounting Bulletin. Em 2025, a rede registrou receita global recorde de US$ 6,8 bilhões, crescimento de 21,3% em relação ao ano anterior. No Brasil, a Baker Tilly atua com soluções em Auditoria, Consultoria Tributária, ESG e Sustentabilidade, Governança, Riscos e Compliance, M&A, Reestruturação Empresarial e Serviços Corporativos.