Saúde mental amplia busca por autocuidado e aquece mercado de profissionais de beleza e bem-estar

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Com atenção crescente ao equilíbrio e à qualidade de vida, procura por serviços mais que dobra em rede de São Paulo e Campinas, que prevê ampliar em 35% o quadro de profissionais

Em uma rotina cada vez mais atravessada por pressões profissionais, excesso de estímulos e preocupações com a saúde mental, reservar algumas horas para cuidar de si deixou de ser encarado apenas como uma questão estética. O movimento já aparece na demanda por serviços e começa também a abrir novas oportunidades de trabalho no setor de beleza e bem-estar.

Nas unidades da Le Belare, empresa do Grupo Lush, em São Paulo e Campinas, a procura por serviços de salão, massagens e outros cuidados pessoais mais que dobrou nos últimos dois meses. O crescimento levou a empresa a iniciar novas contratações, com previsão de ampliar em 35% o quadro de profissionais, movimento que também antecipa o tradicional aumento de demanda dos últimos meses do ano.

O comportamento acompanha uma percepção mais ampla sobre o autocuidado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) o define dentro da capacidade das pessoas de promover e manter a própria saúde e o bem-estar e reconhece práticas, hábitos e escolhas de estilo de vida como parte desse universo. A entidade ressalta, entretanto, que o autocuidado complementa, e não substitui, a assistência dos profissionais e dos serviços de saúde.

Para Shyrly Masson Christofoletti, CEO do Grupo Lush, o crescimento da procura mostra como o conceito de bem-estar está se incorporando à rotina. “Existe uma mudança de comportamento muito interessante. As pessoas estão percebendo que reservar um tempo para si não precisa ser algo excepcional. Pode fazer parte da rotina. Fazer o cabelo, cuidar das unhas, receber uma massagem ou simplesmente parar por algumas horas também representa um momento de atenção consigo mesma. Para o mercado, é um movimento muito positivo, porque aumenta a demanda e gera novas oportunidades de trabalho”, afirma.

Na unidade de São Paulo da Le Belare, originalmente mais concentrada nos serviços de estética, um comportamento tem chamado particularmente a atenção: a demanda crescente pelos serviços tradicionais de salão. Cabelo, unhas e maquiagem passaram a ocupar uma parcela maior da agenda, mostrando que a busca não está restrita a tratamentos específicos.

“As pessoas querem cuidar da saúde e do corpo, mas também querem se olhar no espelho e se sentir bem com a própria imagem. Existe ainda o benefício daquele período em que a pessoa interrompe a correria e dedica um tempo exclusivamente a ela. São necessidades que passaram a caminhar muito próximas e isso fez com que ampliássemos nosso olhar sobre os serviços oferecidos. Por isso, estamos contratando mais 15 profissionais de salão para dar conta dessa demanda”, explica Shyrly.

Em Campinas, o movimento também é percebido na unidade localizada no Cambuí. A procura aumentou principalmente por massagistas e profissionais especializados em cabelo e unhas, levando a empresa a reforçar as equipes para acompanhar a demanda. Só na unidade, estão abertas mais 10 vagas de profissionais para atender o fluxo.

O avanço abre espaço para diferentes especialidades dentro de uma mesma cadeia. Além dos profissionais diretamente envolvidos nos atendimentos, o crescimento de estabelecimentos desse segmento movimenta funções administrativas, recepção, relacionamento com clientes, gestão e fornecedores.

Para a CEO, acompanhar essas transformações será cada vez mais importante para empresas ligadas à beleza, estética e bem-estar. O desafio está em compreender que o consumidor não procura necessariamente apenas um procedimento ou resultado estético, mas experiências que possam ser incorporadas à sua rotina.

“Quem empreende precisa ter sensibilidade para perceber como as necessidades das pessoas estão mudando. Quando observamos uma demanda mais forte por massagem, cabelo ou outros serviços, não estamos olhando somente para uma agenda mais cheia. Estamos identificando um comportamento. Bem-estar passou a ocupar um espaço muito mais importante nas decisões das pessoas, e isso cria oportunidades para profissionais e empresas preparados para atender essa nova realidade”, avalia Shyrly.

A expectativa é que o movimento ganhe ainda mais força nos próximos meses. Além da tendência de crescimento observada recentemente, o último trimestre tradicionalmente concentra confraternizações, festas e eventos, aumentando a procura por cabelo, unhas, maquiagem e outros serviços.

Para Shyrly, o cenário permite uma leitura otimista também sob o ponto de vista econômico. “É muito positivo perceber um mercado aquecido e, principalmente, poder transformar esse crescimento em contratação. Quando a demanda aumenta, conseguimos trazer novos profissionais, gerar renda e movimentar toda uma cadeia. Cuidar das pessoas também pode significar criar oportunidades para outras pessoas, e esse talvez seja um dos aspectos mais positivos desse momento”, conclui.

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