Da Ansiedade à glória sul-americana: maratonistas brasileiros se preparam para receber o título de Mega Legend em Buenos Aires neste final de semana

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Rafaela e Wilson Jr. estão nos momentos finais antes da largada na capital argentina, onde a conquista de 42 km vai encerrar o ciclo das cinco provas do Circuito Mega Finisher

À medida que o relógio avança em contagem regressiva para o próximo domingo, 20 de setembro, dois brasileiros se preparam para encarar a Maratona Internacional de Buenos Aires com um objetivo que vai muito além dos 42,195 km. Para Rafaela, de 26 anos, e Wilson Jr., 45 anos, a prova na capital argentina será a última etapa de uma jornada pelo continente e poderá representar a conquista do status de Mega Legend, a mandala aos atletas que completam o circuito Mega Finisher.

O Mega Finisher é o circuito que conecta maratonas e meias-maratonas realizadas em diferentes destinos da América do Sul, com mais de 86 mil participantes nas cinco cidades, é o maior ecossistema de turismo esportivo do continente. Entre as provas que integram o desafio estão Buenos Aires, Assunção, Montevidéu, Lima e a Maratona Monumental de Brasília. Os corredores que completam cinco provas da mesma distância, dentro do período de 60 meses, conquistam a medalha Mega Legend.

Para Rafaela Torrano e Wilson Jr., a Maratona Internacional de Buenos Aires representa o fechamento de ciclos pessoais construídos ao longo de meses, com diferentes desafios, viagens e histórias vividas em cada prova.

De 12 km a cinco maratonas em menos de um ano: a trajetória de Rafaela

Entre os atletas brasileiros que estarão na linha de largada está a modelo e criadora de conteúdo mineira Rafaela Torrano, de 26 anos. Natural de Uberlândia e radicada em São Paulo, ela vai disputar em Buenos Aires sua quinta maratona do circuito Mega Finisher. Ao completar a prova, ela terá concluído as cinco maratonas em um intervalo inferior a 12 meses e chegará à sua sétima maratona na vida.

Para ela, a relação com a corrida começou ainda na infância, quando participou de uma maratoninha da Caixa em Uberlândia, em 2011, aos 10 anos. Durante grande parte da vida, porém, Rafaela encarou a corrida como uma atividade de cardio na academia, e não como um esporte.

“Estou bem ansiosa para Buenos Aires. Eu tenho 26 anos, sou de Uberlândia e hoje moro em São Paulo. Sou formada em Direito e trabalhei como advogada por alguns anos, mas atualmente sou modelo e criadora de conteúdo, onde compartilho bastante dessa minha rotina de corrida. Minha primeira prova foi uma maratoninha da Caixa em Uberlândia em 2011, quando tinha 10 anos. Porém, durante a minha vida toda, eu sempre vi a corrida como um cardio de academia, não como um esporte em si. Até o começo de 2025, meu máximo tinha sido uns 12 quilômetros, sem acompanhamento”, relata Rafaela.

A mudança aconteceu no início de 2025, quando ela entrou para uma assessoria esportiva e começou a evoluir rapidamente nas provas de meia maratona. Em novembro do mesmo ano, decidiu encarar pela primeira vez os 42 km, na Maratona Monumental de Brasília, concluída em 3h43.

Foi justamente na Expo da prova em Brasília que Rafaela conheceu o Mega Finisher e decidiu transformar a descoberta em um novo desafio pessoal. “Foi em Brasília que conheci a Mega Finisher, na Expo da prova, e me encantei com a mandala e com a possibilidade de continuar vivendo aquilo em outros lugares. Criei um desafio pessoal de completar as cinco maratonas do circuito em um ano. Saí da minha primeira maratona com uma conquista e um novo sonho. Depois vieram Montevidéu, Lima e Assunção e agora Buenos Aires, que vai ser onde eu vou completar a mandala”.

Agora, a expectativa está voltada para a prova argentina, que poderá marcar o encerramento de uma sequência de cinco maratonas do circuito em menos de um ano.

Motivação familiar e busca por recorde pessoal: o desafio de Wilson Jr.

Outro brasileiro que vai a Buenos Aires em busca da conquista do Mega Legend é Wilson Jr. Para ele, a prova também terá um significado especial por conta da companhia da mãe, que viajará com o corredor e completará aniversário no dia seguinte à maratona, em 21 de setembro.

A ideia é transformar os 42,195 km em uma homenagem e, ao mesmo tempo, tentar melhorar sua marca pessoal, buscando correr abaixo de 3h45 e, se possível, chegar à marca de 3h30.

“Essa de Buenos Aires vai ser bem especial porque eu vou com minha mãe e ela vai fazer aniversário no dia seguinte à prova, em 21 de setembro, ou seja, eu pretendo correr por ela para baixar mais ainda meu tempo – mínimo foram 3 horas e 45 minutos. Agora, quem sabe, chegar em três horas e meia. Vamos ver se dá tudo certo”, conta.

Assim como Rafaela, Wilson conheceu o Mega Finisher durante sua participação na Maratona Monumental de Brasília e, a partir dali, decidiu encarar o desafio de completar as provas do circuito.

A jornada, entretanto, também foi marcada por momentos difíceis fora das pistas. Pouco antes da Maratona de Montevidéu, seu pai precisou passar por uma cirurgia cardíaca, e Wilson viajou para acompanhá-lo durante o período de internação.

“Estou muito, muito ansioso por tudo isso. Foi um desafio que eu coloquei para mim e está tudo transcorrendo de maneira maravilhosa. Tiveram uns perrengues, mas a gente vai superando, né? No meio do caminho, meu pai precisou fazer uma cirurgia do coração pouco tempo antes da maratona de Montevidéu, eu tive que viajar para ficar com ele no hospital, mas no final deu tudo certo”, revela o maratonista.

Agora, Wilson se prepara para o último desafio do circuito e espera transformar a prova de Buenos Aires em uma celebração dupla: pela conclusão da jornada esportiva e pelo aniversário da mãe.

A conquista da mandala

As histórias de Rafaela e Wilson Jr. mostram como o Mega Finisher pode transformar a participação em diferentes maratonas sul-americanas em uma jornada que vai muito além do resultado no cronômetro.

Ao longo do desafio, os corredores passam por diferentes cidades, percursos, culturas e condições de prova. Cada etapa acrescenta uma nova experiência à trajetória, enquanto a mandala vai sendo completada medalha após medalha.

Em Buenos Aires, os dois brasileiros terão pela frente os últimos 42,195 km dessa jornada e a conquista da Mega Legend. Só falta cruzarem a linha de chegada.

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