Planos de saúde passam a cobrir mamografia digital para todas as idades
Patient standing before mammography machine operated by professional radiologic technologist via control console in background
Resolução da ANS parte de reivindicações de importantes entidades médicas, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), passa a valer a partir de 1º de outubro e beneficia uma grande parcela da população, especialmente no Estado de São Paulo
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável pela regulação dos planos de saúde em todo o território nacional, atualizou as regras para a realização da mamografia digital e incluiu a cobertura para pacientes de qualquer faixa etária. O exame sem restrição de idade, mediante prescrição médica, passa a valer a partir de 1º de outubro. “A resolução estimula a ampliação do rastreamento mamográfico, uma vez que abrange uma parcela maior da população que pela limitação de idade não era contemplada”, afirma o mastologista José Luís Esteves Francisco, membro da Comissão de Imagem da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e coordenador da Comissão de Imagem da SBM – Regional São Paulo.
A cobertura obrigatória do exame pelos planos de saúde estava restrita a mulheres de 40 a 69 anos. “A solicitação para aprovação da ANS partiu de membros da SBM, que associados ao Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia Obstetrícia (Febrasgo) pediram a modificação, já que a Comissão Nacional de Mamografia recomenda o exame para mulheres com alto risco a partir dos 30 anos. Também indica para mulheres acima de 70 anos. Essas recomendações, é importante dizer, não vinham sedo contempladas”, destaca Francisco.
Desde 2025, o rastreamento mamográfico no SUS (Sistema Único de Saúde) passou a ser feito dos 40 aos 49 anos. Na faixa de 50 a 74 anos, por recomendação do Ministério da Saúde/INCA, o exame é realizado a cada dois anos. Acima de 74 anos, a indicação é personalizada, considerando-se histórico clínico e expectativa de vida da paciente. No entanto, entidades médicas, como a SBM, consideram a necessidade de realizá-lo anualmente, na faixa de 40 a 74 anos.
Sobre o alcance populacional, José Luís Francisco faz um recorte destacando o Estado de São Paulo. “Nesta unidade federativa, a população acima de 70 anos é considerável e 30%, em média, tem plano de saúde e pode ser beneficiada com a mamografia digital”, pontua. “O mesmo percentual se verifica na faixa entre 30 e 40 anos. Mas aqui há que considerar que de 10% a 15% apresentam alto risco de predisposição hereditária para o câncer de mama.”
Versão mais avançada do exame convencional, a mamografia digital é um dos principais meios de detecção precoce do câncer de mama. “Além de ser mais eficiente, o método digital oferece ferramentas que facilitam a identificação de alterações. Um dos recursos é uma lupa eletrônica que aumenta a visualização dos achados que às vezes são milimétricos”, reforça o mastologista da SBM.
Ao contrário do SUS, onde um único código solicita a mamografia nos métodos digital e analógico, na saúde suplementar, explica Francisco, há códigos distintos para exames digital e convencional. Segundo o mastologista, o médico decide qual a melhor opção para a paciente. Em geral, a solicitação passa por análise das operadoras dos planos de saúde.
A modalidade digital oferece vantagens “e é melhor ainda para mulheres mais jovens, pois no exame há menor exposição à radiação”, destaca o mastologista da SBM. Além de menor tempo de compressão da mama durante a realização do procedimento, o armazenamento das imagens em formato digital facilita o acompanhamento da evolução clínica e avaliações por diferentes especialistas.
Nas discussões da Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde), que culminaram na aprovação da mamografia digital sem restrição de idade os planos de saúde, também se determinou a cobertura obrigatória para “todas as pessoas”. Com isso, a ANS inclui qualquer gênero, garantindo acesso a pessoas não binárias, ou seja, que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher.