Grupo de dança da Casa da Criança Paralítica participa do espetáculo “Frozen: Uma Aventura em Arendelle”
Apresentação do Dança sem Fronteiras será no dia 26 de novembro, no Teatro Castro Mendes, em Campinas; ensaios ocorrem às segundas e terças-feiras, na sede da instituição, que atende há 72 anos crianças, adolescentes e jovens com deficiência física
A dança é uma atividade de terapia e inclusão oferecida pela Casa da Criança Paralítica (CCP), de Campinas. Criado pela instituição, o grupo Dança Sem Fronteiras reúne atualmente 14 crianças, adolescentes e jovens de 8 a 36 anos com e sem deficiência física – entre pacientes, ex-pacientes e voluntários. Os integrantes do grupo estarão no palco do Teatro Castro Mendes, em Campinas, no dia 26 de novembro, a partir das 20 horas, para participar do espetáculo Frozen: Uma Aventura em Arendelle, criado pelo Conservatório Campinas e inspirado na história de um filme de 2013 da Disney.
A coreografia do Dança Sem Fronteiras, que utiliza uma música instrumental de Vivaldi, é baseada na nevasca que ocorre durante o enredo do espetáculo. Os ensaios ocorrem na sede da CCP, às segundas e terças-feiras, no período da tarde. O próximo, no dia 21 de setembro, das 15h30 às 16h30, coincidirá com o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. A data oficializada por meio da lei nº 11.133, de 14 de julho de 2005, objetiva fortalecer os direitos das pessoas com deficiência e promover o respeito e a inclusão.
Para Leticia Franciele da Silva Torres, pedagoga responsável pelo grupo Dança Sem Fronteiras, as apresentações externas à instituição representam uma oportunidade de convivência e pertencimento para os integrantes. “O projeto tem como objetivo terapêutico trabalhar a memória, a concentração, a autoestima, os relacionamentos e a percepção musical e corporal. A presença de pessoas sem deficiência física no grupo contribuiu para ampliar a experiência de inclusão. No início, algumas participantes tinham o receio de que as pessoas sem deficiência pudessem se destacar mais na dança. Com o tempo, essa convivência ajudou na mudança do olhar, percebendo que cada pessoa pode encontrar sua própria forma de dançar. O que motiva os participantes é o sentimento de pertencimento, pois a deficiência física não é impedimento para a dança, é possível dançar apenas com o olhar”, acrescenta Letícia.
A CCP atende crianças e adolescentes com vários tipos de deficiência física, entre elas a paralisia cerebral, que traz dificuldades de força, equilíbrio e compromete a coordenação motora, com impactos em diferentes partes do corpo. Uma das integrantes do grupo de dança desde o início de sua criação é Fernanda Natália de Lima, de 36 anos, que tem paralisia cerebral e utiliza uma cadeira de rodas motorizada para locomoção. Ela chegou à CCP com 3 anos e permanece na Casa até hoje. Vanessa da Silveira Bonvechio, psicóloga da instituição e do grupo de dança, ressalta a essência do trabalho desenvolvido: “Como mencionou o dançarino Carlinhos de Jesus, em uma conversa conosco que nos marcou muito: a dança começa no coração.”
Sobre a Casa da Criança Paralítica
Fundada em Campinas (SP) em 17 de janeiro de 1954, a Casa da Criança Paralítica (CCP) oferece atendimento especializado gratuito a crianças, adolescentes e jovens com deficiência física nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, médica, odontologia, psicologia, nutrição, serviço social, pedagogia e informática, além de orientação às famílias que enfrentam situações de vulnerabilidade social. Ao longo dos 72 anos de atividades, já atendeu cerca de 20 mil pessoas.
Desde 2018, a Casa realiza adaptações e manutenção de cadeiras de rodas na Oficina Locomover, que, com a ampliação finalizada em agosto do ano passado, passou a ser uma oficina ortopédica completa, com confecção de órteses e próteses, possibilitando melhor qualidade de vida e inclusão às pessoas com deficiência física do município. Mais de 500 pessoas passam pela Oficina por ano. A Oficina foi uma das cinco iniciativas vencedoras da 13ª Edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, realizado este ano, na categoria Novas Tecnologias Sociais. O prêmio reconheceu em 29 de maio último a Oficina como uma solução com maior potencial de transformação social e reaplicação em diferentes territórios.
A CCP também foi uma das 100 organizações não governamentais do País a receber o Prêmio Melhores ONGs 2025. Essa foi a segunda vez que a instituição conquistou esse importante prêmio — a primeira foi em 2022. Em 2025, a instituição se destacou por ser a única Organização da Sociedade Civil (OSC) de Campinas a receber a honraria, que reconhece, anualmente, entidades de excelência em gestão, governança, sustentabilidade financeira e transparência.