ChatGPT Image 28 de set. de 2026, 14_13_44

Compartilhe!

Shares

Por Adilson Roberto Gonçalves

Algumas práticas corriqueiras em nossas vidas são prazerosas, mas escondem malefícios que se revelam somente quando pode já ser tarde. O uso de algumas substâncias que nos causam euforia, relaxamento, prazer, atenção, dentre outras sensações, podem esconder uma dependência química que não era conhecida ou, mesmo sabida, é ignorada por questões culturais e econômicas.

Os governos e os legisladores ao longo do tempo passaram a entender melhor o que a ciência e a medicina confirmam e determinaram regras para proibir alguns desses vícios. A palavra não é a mais adequada, pois carrega a conotação de um comportamento insalubre de escolha própria, quando, na verdade, o que se chama vício é uma forma de dependência alheia à vontade do usuário de substâncias ou praticante de atividade igualmente deletéria a sua saúde.

Chamamos algumas dessas substâncias de drogas, que passaram a ter sua proibição declarada – como é o caso da cocaína, por exemplo – em detrimento a outras que são igualmente nocivas, mas socialmente ainda aceitas porque o poder econômico por trás delas é muito forte e amplo. Aí se incluem o álcool e o tabaco. A propaganda é a “arma” do negócio, como diz o matuto, e a indústria e o comércio se valem de estratégias de guerra para que seus produtos sejam consumidos. Visibilidade é fundamental e há muito tempo a associação de uma marca com o esporte dá retornos muito lucrativos.

No passado, era muito comum times de futebol serem patrocinados por marcas de cerveja. A Fórmula 1, por muito tempo, tinha em fabricantes de cigarros seus maiores financiadores. A ciência se impôs, mesmo com o lobby sorrateiro e mentiroso dessas indústrias, mas o esporte multimilionário procurou outras fontes de financiamento, nem sempre saudáveis.

Ainda que os órgãos de imprensa dissimulem quanto a suas linhas editorais para defender uma ou outra corrente política, há um movimento forte quanto à proibição de toda forma de fumo, incluindo os cigarros eletrônicos. Em um artigo para um dos jornais da capital paulista assinado por um conjunto de médicos é feita uma crítica à indústria do tabaco e sua “peleja para manter uma atividade lesiva à população”. No texto, os médicos autores cumprem seu papel de denúncia da indústria do tabaco em todas suas nuances e subterfúgios, mas o poder econômico impera. Vemos o equivalente em relação às bets, em que o gap arrecadatório e o financiamento esportivo vêm à tona, deixando a questão de saúde pública em último plano. Há vícios saudáveis, como o da leitura, mas os danosos à saúde devem ser sumariamente banidos, incluindo as jogatinas nas bets, que foi proibida agora, mas não sabemos ainda se haverá judicialização ou quais as consequências sociais e políticas da correta decisão.

Adilson Roberto Gonçalves
Formado em Química pela Unicamp, com Mestrado e Doutorado. Livre-Docente em Química de Biomassa pela USP, com especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor – Unicamp. Membro de entidades culturais do interior paulista. Pesquisador da Unesp-Rio Claro. Mantém o Blog dos Três Parágrafos. Escreve para jornais e sites principalmente sobre ciência, tecnologia, educação e meio ambiente, com forte presença no debate político.
Instagram: @adilson3paragrafos
Facebook: https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/
Blog: https://adilson3paragrafos.blogspot.com/

Compartilhe!

Shares

What do you feel about this?