Uma via para descobrir o sentido da vida
* Dijanira Silva
O Amor é a primeira vocação do ser humano, porque essa é a razão de termos sido criados, mas existem pessoas que conseguem compreender esse chamado de maneira especial e, mais do que compreender, conseguem traduzir a vocação ao amor com a vida. É o caso de Marie Françoise Thérèse Martin, mundialmente conhecida como Santa Terezinha do Menino Jesus.
Desde o século dezoito, a religiosa francesa vem influenciando a maneira de muitas pessoas se relacionarem com Deus. Nascida em uma família tradicionalmente católica e filha de pais virtuosos que viriam a ser reconhecidos como santos, compreendeu cedo que a vocação ao amor pode ser vivida de forma simples, revolucionária e profunda.
Ela inaugurou um caminho de santidade, de vivência da vocação ao amor, acessível a todos: o caminho da pequenez evangélica e do abandono filial no amor do Pai, que viria a ser chamado de “pequena via”.
Santa Teresinha percebeu que, por essa via, era possível cumprir sua vocação e ajudar outros a chegarem mais perto de Deus. Viveu com intensidade esse projeto e, durante sua breve passagem pelo mundo, manteve acesa a chama do amor em seu coração. Ela queria ser missionária, mártir, profeta e desejava ardentemente percorrer o mundo pregando o Evangelho para “salvar muitas almas”.
Foi lendo a Palavra de Deus em 1Coríntios 13 que fez sua grande experiência vocacional, ao descobrir que o amor supera tudo e exclamou alegremente: “No coração da Igreja, serei o amor!” E, de fato, ela colocou o amor no centro de sua vida, e todos os seus atos, até os mais simples, tornaram-se oportunidades para amar mais a Deus e fazê-lo mais conhecido e amado. E esse amor também alcançou meu coração!
Quando eu estava entrando na Comunidade Canção Nova, no ano de 1997, conheci Santa Teresinha. Quem me apresentou esse “tesouro” foi o padre Jonas Abib. Durante uma conversa, ele intuiu que Santa Teresinha poderia me ajudar a percorrer o caminho da “pequena via”, já que mesmo sem o conhecer, eu já estava dando passos neste sentido. Providencialmente, na mesma época, ganhei o livro “História de uma alma” com os escritos autobiográficos de Santa Teresinha e, a partir daí, uma série de acontecimentos foram nos aproximando e me fazendo crer que, de fato, ela é a Santa que mais me conduz ao céu. Seu jeito de amar e servir a Deus, abre caminho para que eu, embora ainda muito distante de agir como ela agia, aspire a perfeição que ela tanto buscou vivendo no esconderijo do Carmelo. Uma busca tão intensa quanto discreta, ao ponto das demais irmãs da sua Comunidade ficarem admiradas ao ver suas virtudes reconhecidas como heroicas, e mais ainda em ver a Igreja proclamá-la santa.
A espiritualidade de Teresiana revela que a santidade não está em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer o ordinário com um amor extraordinário. E isso me parece ser o antídoto contra o excesso de ruídos e a sede de grandeza que, de certa forma, tem corrompido nossa geração.
Que Santa Teresinha nos ajude a passarmos como peregrinos pela “pequena via”, e assim descobrirmos o verdadeiro sentido da vida, que é amar e servir a Deus, no coração da Igreja e em todos os lugares onde Ele nos enviar.
* Dijanira Silva é missionária da comunidade Canção Nova, autora de livros e apresentadora da Rádio Canção Nova 85,9 FM, em São Paulo. (@dijaniracn)