Com a chegada do final do ano, metas não cumpridas podem despertar ansiedade, culpa e frustração

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Psicanalista e terapeuta integrativa Karina Ferrari explica por que o período de balanço pessoal pode intensificar emoções e como reconhecer os sinais de sofrimento antes da chegada das festas

Com a aproximação do fim do ano, é comum fazer um balanço dos meses que passaram, rever planos e avaliar o que foi ou não realizado. Para algumas pessoas, porém, esse exercício vai além da reflexão e vem acompanhado de ansiedade, frustração, culpa e tristeza. Metas que ficaram pelo caminho, projetos adiados e a sensação de que o tempo passou rápido demais podem transformar esse período em uma fonte de sofrimento emocional.

Popularmente chamada de “síndrome de fim de ano” ou “dezembrite”, essa combinação de sentimentos não é um diagnóstico clínico, mas ajuda a descrever o desconforto que muitas pessoas experimentam diante do encerramento de um ciclo. A pressão para cumprir objetivos, as comparações com outras pessoas e a cobrança por resultados podem tornar ainda mais difícil lidar com aquilo que não saiu como o esperado.

Para a psicanalista e terapeuta integrativa Karina Ferrari, esse momento pode ser uma oportunidade de olhar para as próprias emoções com mais atenção, em vez de simplesmente tentar afastá-las ou se cobrar ainda mais.

“Quando percebemos que algumas metas não serão cumpridas, podemos experimentar ansiedade, frustração e culpa. Mas é importante olhar para esses sentimentos e tentar compreender o que eles estão nos mostrando. Em vez de apenas nos cobrarmos pelo que não conseguimos realizar, podemos nos perguntar o que essa experiência revela sobre nós, nossos medos e nossas expectativas”, explica.

A relação com o tempo também merece atenção. A percepção de que os meses estão passando e de que determinados planos continuam sem sair do papel pode despertar questões mais profundas, relacionadas ao envelhecimento, ao medo de perder oportunidades e à dificuldade de viver plenamente as próprias experiências. Segundo Karina, nem sempre adiar uma realização está ligado apenas à falta de organização ou de disciplina. Em alguns casos, vale investigar o que dificulta a concretização de algo importante: quais são os receios envolvidos, o que impede a pessoa de avançar e quais expectativas ela estabeleceu para si mesma. “É importante entender o que existe por trás daquela dificuldade. Por que não estou conseguindo realizar algo que é importante para mim? O que me impede de me organizar para que isso aconteça? Essas perguntas podem abrir espaço para um processo de autoconhecimento e para uma relação mais consciente com as próprias escolhas”, afirma.

Acolher as emoções antes de chegar a dezembro

A especialista ressalta que não é necessário esperar a chegada das festas para perceber que algo não vai bem. Reconhecer os sentimentos, diminuir a autocobrança e estabelecer expectativas mais realistas para os últimos meses do ano são atitudes que podem ajudar a atravessar esse período com mais equilíbrio. Isso também significa compreender que nem todos os planos precisam ser concluídos até dezembro e que rever prioridades não representa necessariamente um fracasso. Em vez de tentar compensar o tempo que passou com uma lista ainda maior de tarefas, a proposta é identificar o que realmente faz sentido e respeitar os próprios limites.

Nesse processo, a terapia floral pode ser uma ferramenta complementar de autoconhecimento, de acordo com a abordagem utilizada por Karina. A prática parte da compreensão de que as emoções merecem ser observadas para além do desconforto imediato, buscando identificar questões que possam estar relacionadas à experiência vivida. “Na terapia floral, trabalhamos com a ideia de que o sintoma pode ser um mensageiro, algo que nos convida a olhar para o que precisamos compreender ou aprender sobre nós mesmos. A ansiedade ou a frustração, por exemplo, podem nos levar a refletir sobre nossas expectativas, nossos medos e a maneira como estamos conduzindo a vida. Os florais são utilizados nessa abordagem com o objetivo de favorecer o contato com qualidades internas que a pessoa busca desenvolver para lidar com esses desafios”, explica.

Karina destaca que o objetivo dessa perspectiva não é simplesmente silenciar o que incomoda, mas ampliar a compreensão das próprias emoções e favorecer uma relação mais consciente consigo mesmo.

A proximidade do fim do ano, portanto, não precisa ser encarada como uma corrida contra o relógio. Mais do que contabilizar conquistas e pendências, o período pode ser um convite para rever expectativas, acolher frustrações e reconhecer que cada trajetória tem seu próprio ritmo. Afinal, cuidar da saúde emocional não precisa entrar na lista de resoluções do próximo ano: pode começar agora.

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