As origens milenares do Carnaval que vão do caos antigo ao samba moderno 

O dirigente e professor da Nova Acrópole Campinas, Lucas Penna, revela como as festas da antiguidade inspiraram a celebração contemporânea e qual é o significado cultural dessa tradição que atravessa séculos

O Carnaval, atualmente celebrado com desfiles, blocos e fantasias exuberantes, tem uma história que remonta a tradições muito mais antigas do que se imagina, com origem a cerca de dois mil anos antes de Cristo. Pesquisas em história cultural demonstram que as raízes da festa estão ligadas às celebrações da Antiguidade que promoviam a inversão temporária da ordem social e a suspensão de normas rígidas, como as sáceas da Mesopotâmia, nas quais as estruturas de poder eram subvertidas e os indivíduos de classes populares gozavam de honras e banquetes enquanto os governantes eram ridicularizados.

As tradições festivas também eram fortes entre os gregos e romanos com celebrações como as Bacanais e a Saturnália, que  eram momentos em que normas sociais eram relaxadas, bebidas e prazeres eram exaltados, e o mundo normal era momentaneamente transformado em um espaço de liberdade e revelia.

Para compreender o significado mais profundo dessas festas antigas, o cenário é analisado por Lucas Penna, dirigente e professor na unidade de Campinas da Nova Acrópole, escola de filosofia, cultura e voluntariado, com atuação internacional sem fins lucrativos que, há mais de 65 anos, promove os estudos com base no desenvolvimento humano e na reflexão sobre tradições culturais. Fundada em 1957, a Nova Acrópole busca resgatar o pensamento clássico e aplicar seus princípios à compreensão de fenômenos sociais complexos.

De acordo com Penna, a festa atual, ainda que muito transformada, mantém elementos de transgressão, comunidade e celebração da vida. “Essas festas da Antiguidade carregavam um simbolismo profundo espelhado nas necessidades da alma humana, algo que ressoa com a essência carnavalesca contemporânea”, afirma. 

Com o estabelecimento do cristianismo na Europa, muitas dessas festas pagãs foram reinterpretadas e incorporadas ao calendário religioso, posicionando-se como um período de despedida aos excessos antes da Quaresma.

“Com a consolidação do cristianismo na Europa, as antigas festas pagãs foram ressignificadas. Muitas delas passaram a integrar o calendário religioso como um tempo simbólico de transição, marcando a despedida dos excessos antes do período de recolhimento da Quaresma. É nesse contexto que surge o termo “carnaval”, derivado do latim “carne levare ou “adeus à carne”, que expressa a renúncia aos prazeres materiais, e a passagem de um ciclo de expansão para outro de introspecção. Essa herança simbólica ajuda a compreender por que o Carnaval, ainda carrega essa ambiguidade entre celebração intensa e preparação para um tempo de reflexão”, explica Penna.

No Brasil, o Carnaval evoluiu a partir de tradições europeias, africanas e indígenas, transformando-se em um dos maiores espetáculos populares do mundo, com escolas de samba, blocos de rua, ritmos diversos e expressões culturais únicas. A festa contemporânea reflete um fenômeno cultural que fala de identidade, resistência, criatividade e coletividade.

Sobre a Nova Acrópole

A Nova Acrópole é uma organização internacional sem fins lucrativos, presente em mais de 60 países, dedicada ao estudo e à prática da filosofia como ferramenta para o desenvolvimento humano. Fundada em 1957, a instituição atua em três eixos principais (filosofia, cultura e voluntariado) promovendo atividades educativas, palestras, cursos e ações sociais que estimulam o pensamento crítico, o autoconhecimento e a participação consciente na sociedade. Inspirada na tradição filosófica clássica, a Nova Acrópole busca oferecer uma compreensão mais profunda dos valores humanos e dos fenômenos culturais ao longo da história. 

Conheça a Nova Acrópole:https://nova-acropole.org.br/campinas/ 

Sobre o Autor