Empreender com responsabilidade: o boom e os desafios dos MEIs

O Brasil vive um momento único no empreendedorismo. Em 2025, o país registrou o maior número de abertura de pequenas empresas da sua história: quase 5 milhões de novos negócios formalizados, entre empresas recém-criadas e trabalhadores que deixaram a informalidade. O dado impressiona, confirma a força do espírito empreendedor do brasileiro e aponta uma série de desafios.

A maioria desses novos registros — mais de 3,8 milhões — corresponde a microempreendedores individuais (MEIs). O modelo segue sendo a principal porta de entrada para quem deseja empreender de forma legal, graças à simplicidade, ao baixo custo e à possibilidade de acesso a benefícios previdenciários. Para milhões de brasileiros, o MEI representa dignidade, segurança e a chance de estruturar um negócio próprio.

No entanto, o mesmo ano que bateu recordes de abertura também registrou um número alarmante: mais de 3 milhões de MEIs foram excluídos ou desenquadrados. Esse contraste revela um problema estrutural que não pode ser ignorado. Muitos empreendedores formalizam seus negócios sem informação suficiente sobre obrigações básicas, como o pagamento mensal do DAS, a entrega da declaração anual ou o respeito ao limite de faturamento. Empreender não é apenas abrir um CNPJ — é manter o negócio organizado e sustentável ao longo do tempo.

Outro ponto crítico é o desenquadramento por crescimento. Muitos MEIs acabam ultrapassando o limite de faturamento permitido e não sabem como agir, acumulando pendências fiscais e insegurança jurídica. Crescer é positivo, mas precisa vir acompanhado de orientação adequada para a transição a outros regimes empresariais.

Nesse contexto, o papel das entidades de apoio empresarial se torna fundamental. Instituições como a ACIAS (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré) atuam diretamente na orientação, ajudando a transformar a formalização em um passo sólido, e não apenas burocrático. Informação e acompanhamento fazem toda a diferença para evitar exclusões, dívidas e frustrações.

Além de ter acesso à informação, fazer parte de associações como a ACIAS podem contribuir com o crescimento do negócio. Ao participar das atividades e eventos da ACIAS, o MEI amplia sua rede de networking e está sempre em evidência e em conexão com outros empreendedores.

O recorde de abertura de pequenas empresas em 2025 deve, sim, ser comemorado. Mas ele também precisa servir de alerta. Empreender é uma decisão corajosa, que exige responsabilidade, planejamento e apoio. Para que esse movimento continue gerando desenvolvimento econômico e social, é essencial que o microempreendedor não caminhe sozinho — e que o crescimento venha acompanhado de conhecimento.

Selma Koshoji é contabilista, administradora de empresas e presidente da ACIAS (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré)  

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