Nordeste concentra 24% das startups e atrai fundos para fomentar ecossistema

A LightHouse, que lançou seu primeiro fundo em 2023 com capital autorizado de R$ 100 milhões, já realizou sete investimentos, e projeta alcançar 16, na região nordeste. Resultados iniciais promissores confirmam a tese e a Trackfy é um exemplo disso: a startup firmou acordo internacional de fusão com grupo do Oriente Médio

De cada quatro startups do Brasil, uma está no Nordeste. A região abriga também 15% dos parques tecnológicos do país, entre aqueles em operação ou em implantação. Os dados são, respectivamente, do Sebrae Startups Report e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O protagonismo é recente, fruto de movimentos intensificados da década passada para cá.

Um dos atores que têm apostado e contribuído para o impulsionamento do setor de inovação do Nordeste é a LightHouse, casa de investimentos com foco em negócios na região e também no Norte. Para se ter uma ideia, desde 2023 a Lighthouse já colocou em operação dois fundos de investimento em participações (FIP), que somam R$ 150 milhões de capital autorizado e segue estruturando novos veículos.

O primeiro deles, o FIP LH Tech Ventures, com R$ 100 milhões de capital autorizado, deve chegar a 16 startups contempladas, segundo um dos sócios da casa de investimentos, Alexandre Darzé. Sete já foram impulsionadas pela LightHouse, entre elas, uma startup baiana que está alcançando o mundo.

Trata-se da Trackfy, pioneira no uso de Internet das Coisas (IoT) e análise de dados para a gestão de equipes em canteiros de obras e plantas industriais. Recentemente, em acordo de troca de ações, a startup nordestina foi incorporada pela WakeCap, da Arábia Saudita, e passa a compor um grupo com operação internacional relevante.

“Juntas, as empresas consolidam a maior plataforma global de inteligência para gestão de equipes em campo, atuando em projetos ativos ao redor do mundo com valor superior a US$ 120 bilhões”, celebra o fundador da Trackfy, o baiano Túlio Cerviño. Agora, ele se torna CEO Latam (mercado latino-americano) e vice-presidente global de operações industriais da WakeCap.

De acordo com Flavio Marinho, sócio e diretor da LightHouse, o case da Trackfy demonstra como a combinação potencial de inovação e liquidez — ou seja, o aporte de recursos para fomentar o empreendedorismo — é fundamental. Foi para completar essa equação que a Lighthouse foi constituída em 2017. Atualmente, tem sede em Salvador e escritórios em Recife, em São Paulo e também está se instalando em Manaus.

Flavio Marinho, sócio e diretor da LightHouse

“A casa de investimentos nasceu com o propósito de ampliar o volume de capital de risco qualificado em regiões onde a oferta é estruturalmente limitada e onde bons negócios frequentemente esbarram na falta de financiamento adequado. A percepção era de que não faltava criatividade nem disposição para empreender entre os empresários locais. O que acontecia é que faltava dinheiro para a operação, já que as startups do Nordeste não acessavam fundos de investimento do Sudeste”, pontua Marinho.

PRESENÇA FÍSICA E PROXIMIDADE COM AS STARTUPS 

Para dar sustentação à sua tese de investimento, a LightHouse compreendeu que uma estratégia importante seria a aproximação com as startups com potencial de receber investimentos. Assim, além dos escritórios, dispõe de parcerias e pontos de operação em hubs em quase todos os estados das regiões Norte e Nordeste. Desta forma, além de capacidade de identificar antecipadamente as melhores oportunidades de investimento, os ambientes de inovação e seus ecossistemas se constituem em importantes ferramentas para a alavancagem das startups que recebem seus investimentos. A LightHouse assiste os empreendedores, em especial aqueles em estágio inicial, a se desenvolverem e crescerem.

A atuação da LightHouse junto a hubs e ambientes de inovação teve um capítulo importante quando foi responsável pela implantação e gestão, por mais de 7 anos, do Hub Salvador (https://www.hubsalvador.com/), uma parceria público-privada com a Prefeitura de Salvador, que tinha a missão de colocar a cidade no mapa do empreendedorismo nacional.

“Durante esse período, consolidamos nossa atuação como um agente de transformação para o ecossistema local e regional, contribuindo para transformar Salvador em uma das capitais mais destacadas no movimento empreendedor do país”, afirma Gustavo Menezes, sócio e diretor da LightHouse.

Outra estratégia importante relacionada à tese de investimentos da LighHouse e para impulsionar o empreendedorismo na região é a promoção e a participação em eventos para o ecossistema empreendedor regional como a Pitch Week, iniciativa itinerante de inovação e investimentos no Nordeste, que já movimentou mais de R$ 350 milhões em negócios em edições anteriores na região.

VERVE EMPREENDEDORA

Com eventos como o Pitch Week, parques tecnológicos, hubs de inovação e maior acesso a capital, a verve empreendedora — a disposição para criar, inovar e transformar ideias em negócios, do Nordeste ganhou visibilidade. Em 2024, segundo o Sebrae Startups Report, a região ultrapassou o Sul em número de startups, concentrando 23,53% das cerca de 18 mil empresas do setor no país, atrás apenas do Sudeste, com 36,15%.

Já a publicação Evolução, Impacto e Potencial dos Parques Tecnológicos do Brasil, lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em outubro, na 35ª Conferência da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), revela que o Nordeste abriga 19 das 113 iniciativas de parques tecnológicos no Brasil — ou seja, mais de 15% delas.

MAIS INFORMAÇÕES

Sobre a Lighthouse: https://www.lhinvest.com.br/

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