O Bom Velhinho na Era dos Dados
Por AILTON VENDRAMINI *
A figura do Papai Noel sempre acompanhou a tecnologia do seu tempo. No início, quando ainda era São Nicolau, sua história se espalhava pela tradição oral, pelos manuscritos copiados à mão e pelas narrativas transmitidas nas igrejas. Na Idade Média, vitrais, afrescos e ícones religiosos ajudaram a fixar sua imagem e a difundir a ideia de generosidade anônima. Mais tarde, com a imprensa e os livros ilustrados, o personagem ganhou contornos mais definidos, tornando-se presença constante no imaginário europeu. Já no século XIX, jornais e poemas popularizaram o Papai Noel moderno, deslocando-o definitivamente para o centro das celebrações natalinas.
No século XX, o rádio, o cinema e a publicidade transformaram o Papai Noel em um ícone global. As renas, o trenó, o sino e os presentes não são apenas adornos: são símbolos que humanizam o personagem e reforçam a ideia de cuidado individual com cada criança. Essa humanização é essencial e não pode se perder. O Papai Noel encanta porque lembra nomes, atende desejos e parece conhecer cada endereço. Ele representa, acima de tudo, atenção e afeto em escala quase impossível.
Mas o mundo mudou. Hoje, são milhões de crianças, bilhões de dados e uma complexidade que nenhum caderno de anotações daria conta. Se o Papai Noel existisse de fato, precisaria de ajuda. Não para substituir o encanto, mas para organizá-lo. Precisaria de um NotebookLM, um caderno inteligente capaz de reunir nomes, endereços, desejos e histórias em um único lugar, facilitando consultas, evitando esquecimentos e protegendo o que há de mais importante: o gesto humano por trás do presente. A tecnologia, nesse caso, não rouba a magia — ela a preserva.

Essa metáfora diz muito sobre o nosso tempo. Em organizações públicas e privadas, gestores ocupam um papel semelhante ao do Papai Noel. São eles que carregam expectativas, distribuem oportunidades e ajudam suas equipes a transformarem esforço em resultado. Para isso, não basta boa intenção. É preciso visão de futuro, organização e ferramentas adequadas. Sistemas que concentram informação, inteligência que apoia decisões e tecnologia que simplifica — tudo isso não substitui pessoas, mas amplia sua capacidade de cuidar, orientar e entregar.
A chamada à ação é clara: líderes precisam investir não apenas em metas, mas em meios. Disseminar uma visão de futuro e oferecer instrumentos adequados é um ato de responsabilidade e, por que não, de generosidade. No fim das contas, seja no Natal ou no cotidiano das organizações, o objetivo é o mesmo: trabalhar melhor, cuidar uns dos outros e, apesar de todos os desafios, sermos simplesmente felizes.
* AILTON VENDRAMINI, Engenheiro eletrotécnico com 40+ anos no setor privado (ABB, VA TECH, Schneider, Veccon etc.), liderando contratos e grandes projetos. Experiência executiva no Brasil e exterior. Hoje, Diretor de Dados & Estatística e DPO de Hortolândia, à frente de LGPD e projetos de dados/IA. Articulista e consultor; MBA USP, pós-graduações FGV e especialização em Big Data.