A estrada à frente: por que não busco a unanimidade, mas sim a transformação

* Gustavo Reis
O que eu estou fazendo hoje que vai fazer a diferença na vida das pessoas no futuro?
É com essa pergunta ecoando na mente todos os dias que tenho pegado a estrada. Quem acompanha minhas redes tem visto minhas visitas pelas cidades da nossa Região Metropolitana de Campinas (RMC). Nesse mês dei um novo passo nessa jornada ao atualizar meu status para pré-candidato a deputado estadual.
Entrar nesse cenário e me colocar ao lado de outros nomes da nossa região é, antes de tudo, um compromisso com o debate público de alto nível. Mas, nessa caminhada, aprendi algo fundamental: agradar a todos não é o objetivo.
Na verdade, a unanimidade não é sequer saudável para a política ou para a democracia. É aqui que costumo lembrar do Princípio de Pareto: na gestão pública, muitas vezes são 20% das nossas decisões (geralmente aquelas mais complexas, corajosas e que desafiam o status quo) que geram 80% das transformações reais na vida da população. Tomar essas decisões exige aceitar que você vai desagradar alguns para poder beneficiar a grande maioria. E está tudo bem. É assim que o progresso acontece.
Quando olho para trás, não tenho apego ao poder ou ao que já passou. Tenho, sim, memória. Sei que o trabalho realizado até aqui e as decisões que tomei ajudaram a melhorar a vida de muita gente. Mas o retrovisor serve apenas como referência; o nosso foco tem que estar no para-brisa. O estado precisa avançar. Sei que outros virão para fazer o que é certo em seus devidos momentos, e é exatamente assim que o ciclo deve funcionar. O que realmente importa é seguirmos em frente rumo a um lugar onde todos tenham oportunidades reais.
Como estamos entrando em um período de debates e escolhas importantes, deixo aqui um convite para refletirmos sobre como avaliamos nossos representantes. Sem partidarismo, mas com foco no futuro que queremos construir, sugiro três pontos de atenção:
- Avalie a coerência entre histórico e visão de futuro: O passado de um representante mostra sua capacidade de entrega, mas é a visão de futuro dele que dirá para onde ele quer levar a sua região. Busque quem usa a experiência como trampolim, não como âncora.
- Valorize a coragem sobre a popularidade: Desconfie daquele que tenta ser uma unanimidade. Busque líderes que demonstram ter a coragem necessária para tomar os “20% de decisões difíceis” que farão a diferença amanhã.
- Observe a presença no mundo real: Bons projetos não nascem apenas em gabinetes. Eles nascem na estrada, ouvindo as pessoas, entendendo as dores de cada bairro e de cada município.
O futuro não é um lugar para onde estamos indo, é um lugar que estamos construindo hoje.
* Gustavo Reis, ex-prefeito de Jaguariúna