As eleições brasileiras e a linha de chegada dos ODS

Foto Rafael Cervone_Divulgacao Ciesp

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Rafael Cervone*

Os candidatos aos cargos de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais a serem eleitos em outubro próximo, cujo prazo para registro das candidaturas termina dia 15 deste mês de agosto, terão um compromisso adicional com a população brasileira e a comunidade internacional: os mandatos, que começarão em 2027, coincidirão com os quatro anos finais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, dos quais nosso país é signatário e que expiram em 2030.

Precisamos fazer nesse curto período o que não realizamos em toda a década transcorrida desde o início oficial dessa agenda, em janeiro de 2016. O desafio é imenso, pois persistem numerosos desafios: redução das desigualdades, qualidade do sistema gratuito de Educação Básica e Técnica, produtividade, geração de empregos formais em larga escala, inovação, infraestrutura resiliente, saneamento, adaptação às mudanças climáticas e consolidação de instituições públicas mais eficientes e transparentes.

Políticas de Estado são importantes para o avanço dos indicadores, mas também são cruciais o desempenho e o envolvimento dos setores de atividade. Nesse contexto, a indústria tem papel estratégico, pois está presente de maneira transversal em todos os 17 ODS, da erradicação da pobreza à transição energética e meio ambiente, passando pela segurança alimentar, educação, saúde e infraestrutura. Nenhum outro setor de atividade apresenta tamanha capacidade de irradiar impactos positivos, em múltiplas cadeias de valor, sobre quase toda a Agenda 2030.

É nesse ponto que a competitividade torna-se uma prioridade nacional de desenvolvimento sustentável. Se queremos acelerar os ODS, precisamos criar melhores condições para que os empreendedores da produção possam investir mais, inovar mais e gerar mais empregos. Isso implica reduzir o “Custo Brasil” de modo significativo, ampliar a segurança jurídica e pública, assegurar previsibilidade regulatória, construir um ambiente macroeconômico com juros estruturalmente menores, melhorar o acesso ao crédito, promover isonomia tributária entre a produção nacional e os bens e mercadorias importados e perseguir o equilíbrio fiscal. São condições básicas para a estabilidade econômica e os investimentos de longo prazo.

A indústria brasileira está preparada para fazer sua parte. Tem conhecimento, capacidade tecnológica, capital humano, compromisso crescente com sustentabilidade e experiência para liderar processos de inovação em todas as cadeias produtivas. No entanto, nenhum setor prospera de modo robusto em um ambiente de incertezas permanentes e excesso de custos. É necessário ter os três poderes também comprometidos com o mesmo propósito.

Chegamos a um momento decisivo. Na primeira década dos ODS avançamos menos do que deveríamos. Por isso, os brasileiros terão imensa responsabilidade nas eleições de 2026, pois escolherão os representantes do Poder Executivo e do Legislativo incumbidos do dever de conduzir nosso país na linha de chegada da maior agenda de desenvolvimento sustentável já promovida pela humanidade.

*Rafael Cervone, engenheiro têxtil, é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Roncon & Graça Comunicações
Jornalistas: Edécio Roncon / Vera Graça

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