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Por Adilson Roberto Gonçalves

Ao longo da semana foram concluídas as premiações do Nobel deste ano, finalizando com o de Economia no dia de nosso feriado da Padroeira, ainda comemorado em 12 de outubro. Robert E. Hall, da Universidade de Stanford, e Michael Woodford, da Universidade de Columbia, foram os premiados. O prêmio de economia é em homenagem à memória de Alfred Nobel por não fazer parte do conjunto original de premiação. Mas possui a mesma importância. Nem sempre são economistas os vencedores, pois as pesquisas realizadas podem partir de outros campos do conhecimento.

Creio que um dos mais notórios nesse aspecto é o Nobel em Economia do matemático John Nash, de 1994, vencedor junto com outros pesquisadores, pelos estudos que envolviam a teoria dos jogos. Nash sofria de esquizofrenia e sua vida foi retratada no premiado filme “Uma mente brilhante”, de 2001, dirigido por Ron Howard e tendo Russell Crowe no papel principal. Uma obra bem interessante, ainda que tendenciosa em relação a sua vida pessoal.

Li o livro de Sylvia Nasar que deu origem ao roteiro do filme e o volume de contradições com a obra cinematográfica é muito maior. Porém, lembremos que um filme não é um documentário, ainda que haja os que assistam a tais produções criticando que fugiram da realidade ou do livro que as originaram. Mesmo documentários carregam uma dose de escolhas, tal qual qualquer atividade de escrita e jornalística.

Contradição é uma boa definição para o prêmio de economia deste ano, uma vez que a tese vencedora é de que o comportamento das famílias frente ao que elas sentem em relação às movimentações da economia podem definir, em certa extensão, o comportamento macro. Ou seja, estudos mostram que, até uma certa dimensão, os marcadores da macroeconomia conseguiam moldar o comportamento da microeconomia, das famílias e de pequenos grupos. A partir de uma certa circunstância, com o entendimento de que os atores saíam prejudicados pelo que os mercados e agentes externos diziam, houve inversão, com as famílias podendo influir nas decisões macroeconômicas ou que deviam ser ouvidas na composição dessa combinatória além da soma das partes. Obviamente a simplificação aqui colocada é pautada pelo fato de economia não ser uma ciência exata. Muito longe disso. Faz parte do grupo das Humanidades, com viés ainda mais pernóstico se considerarmos que muitas de suas conclusões são supostamente embasas em complicadíssimos cálculos e equações.

Abandonando conflitos, ao menos o Nobel da Paz foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, alguém que realmente o merecia, sem os sustos e pressões havidos no ano passado.

Os demais prêmios canônicos científicos e o de literatura já foram tratados por sites e revistas especializadas, destacando a menção ao de Química neste espaço (https://www.jornalrmc.com.br/premio-nobel-de-quimica-de-2026/) e à Revista Pesquisa Fapesp que detalha todos os prêmios e laureados (https://revistapesquisa.fapesp.br/).

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

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