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Adilson Roberto Gonçalves

Nesta semana estão sendo anunciados os laureados com o Prêmio Nobel de 2026. Na segunda-feira foi o de Medicina, na terça, o de Física, e nesta quarta-feira foram anunciados os dois pesquisadores que ganharam o Prêmio Nobel de Química, o francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai. A pesquisa premiada diz respeito aos efeitos não lineares e autocatálise na síntese assimétrica. Nome difícil para dizer como alguns controles de reação seguem caminhos antes não previstos, especialmente quando se tratam de compostos isoméricos com aplicações farmacológicas.

Algumas substâncias possuem isômeros, que são outras substâncias cujas moléculas têm os mesmos átomos, mas distribuídos de forma distinta no espaço. Um subconjunto desses isômeros são os quirais (também chamados de isômeros ópticos), em que a única diferença é a posição relativa dos átomos que leva a uma molécula ser a imagem espelhada da outra, da mesma forma que acontece com nossas mãos direita e esquerda. Elas são idênticas, uma é o espelho da outra, mas uma luva de uma mão não serve na outra. O nome quiral vem do grego khéir que significa mão. São substâncias que possuem as mesmas propriedades físicas e muito difíceis de serem separadas e identificadas. Mas, em sistemas biológicos, possuem comportamento químico distinto, sendo que um dos isômeros pode ser um medicamento benéfico e o outro pode ser nocivo. Um dos casos mais conhecidos é a talidomida, remédio com propriedades anti-inflamatórias, sedativas e também usado por muito tempo contra enjoo. O outro isômero, antes desconhecido, mas que estava presente junto ao isômero ativo, tinha a propriedade de causar má formação em fetos. Isso somente foi descoberto depois que muitas mulheres usaram a talidomida para combater o enjoo durante a gravidez.

De forma simplificada, os laureados em Química deste ano estudaram como reações químicas quirais podem acontecer e como usar princípios catalíticos (que aceleram as reações) para aumentar o rendimento em um dos isômeros, fato antes conhecido apenas em sistemas biológicos ativos, ou seja, em uma célula viva.

Acompanharemos os comentários dos cientistas que atuam na área, em especial os do Instituto de Química da Unicamp, onde há fortes grupos de pesquisadores que trabalham com sínteses orgânicas e produção de compostos com atividade fisiológica a serem aplicados em medicamentos. A Unicamp completa 60 anos e, com certeza, deve promover palestras e fóruns de discussão combinando os temas.

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

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