Estudo com quase 9 mil recém-nascidos em Campinas reforça a importância do teste da orelhinha

1.Teste da orelhinha (1)

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Pesquisa identificou 16 bebês com perda auditiva, sendo que cinco deles não apresentavam nenhum fator de risco conhecido

Uma pesquisa realizada com dados de 8.888 recém-nascidos no Hospital Maternidade de Campinas em 2023, publicada recentemente em uma revista científica internacional, identificou 16 bebês com perda auditiva, cinco deles não apresentavam nenhum fator de risco conhecido. Mas o que isso significa?

A doutora Elaine Soares, fonoaudióloga e uma das autoras do estudo, explica. “Algumas doenças que acometem a mãe durante a gestação, síndromes genéticas, anoxia (ausência de oxigênio) no momento do nascimento aumentam o risco de deficiência auditiva, no caso do estudo, esses bebês não possuíam nenhum desses fatores, e ainda assim, foi detectado perda auditiva, isso deve ser investigado, pois, independente da causa, é nessa primeira fase da vida que o cérebro abre uma janela de conhecimento e desenvolvimento”.

Sobre a pesquisa

Publicado on-line em 29 de setembro de 2026 na revista científica internacional de otorrinolaringologia (especialidade que cuida de ouvido, nariz e garganta) International Archives of Otorhinolaryngology, o estudo foi conduzido com o objetivo principal de analisar os resultados e a eficácia de um programa de triagem auditiva neonatal universal (o “teste do orelhinha”) ao longo de um ano no Hospital Maternidade de Campinas.

O achado chama a atenção para um ponto importante para as famílias: a ausência de fatores de risco conhecidos não elimina a necessidade de realizar a triagem. O teste da orelhinha é rápido, indolor e feito ainda na maternidade. O exame é uma etapa inicial de identificação e não deve ser confundido com o diagnóstico definitivo de perda auditiva.

“A triagem auditiva neonatal é importante justamente porque não é possível identificar todos os bebês que podem apresentar perda auditiva apenas pela história da gestação, do parto ou pela presença de fatores de risco. O acompanhamento adequado permite investigar os casos que precisam de avaliação complementar”, diz a fonoaudióloga.

Outro ponto importante é a continuidade do cuidado. Um resultado alterado na triagem não confirma, por si só, que o bebê tenha perda auditiva. A família deve seguir as orientações da equipe de saúde para realizar os exames complementares e o acompanhamento indicado.

“O cuidado não termina no primeiro exame. A falha na triagem demonstra a necessidade do diagnóstico audiológico completo e caso a deficiência auditiva seja confirmada a reabilitação precisa ser iniciada com urgência para que as consequências da perda auditiva sejam atenuadas”, acrescenta Elaine.

A pesquisa é assinada por Laura Franco Chiriboga, Karolina Pessote Sideri, Jonathan Grassi, Elaine Soares Monteiro Pinto e Luis Miguel Chiriboga Arteta.

Deficiência auditiva em nível nacional

A deficiência auditiva representa um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente pelos impactos que pode ocasionar no desenvolvimento da linguagem, da comunicação e das habilidades cognitivas durante a infância.

De acordo com os dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, aproximadamente 2,6 milhões de brasileiros com dois anos ou mais apresentavam grande dificuldade ou impossibilidade de ouvir, mesmo utilizando aparelhos auditivos.

No que se refere à população infantil, estudos epidemiológicos apontam uma prevalência estimada de perda auditiva congênita de aproximadamente 1 a 3 casos para cada 1.000 nascidos vivos, podendo ser superior entre recém-nascidos com indicadores de risco, especialmente aqueles que necessitam de cuidados em unidades de terapia intensiva neonatal.

Mesmo com os avanços na implementação da Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), o diagnóstico tardio ainda representa um desafio para os serviços de saúde auditiva brasileiros. Estudos nacionais anteriores identificaram idades médias de diagnóstico entre 3 e 5 anos, evidenciando dificuldades históricas relacionadas à identificação precoce, ao acesso à avaliação audiológica especializada e ao início oportuno da intervenção.

Nesse contexto, a identificação precoce da perda auditiva, o acompanhamento audiológico e a intervenção nos primeiros meses de vida são fundamentais para minimizar os efeitos da privação auditiva sobre o desenvolvimento infantil, favorecendo melhores oportunidades de aquisição da linguagem e participação social.

A Lei Federal nº 12.303, de 2 de agosto de 2010, torna obrigatória e gratuita a realização do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (conhecido como Teste da Orelhinha) em todos os hospitais e maternidades para os recém-nascidos em suas dependências. Hospitais públicos, maternidades privadas e redes conveniadas ao SUS devem disponibilizar o exame sem custos. Caso a criança nasça em casa ou em locais que não façam o exame, os pais devem procurar uma unidade de saúde para realizá-lo o quanto antes.

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