“Afrontosa”, documentário de Coraci Ruiz e Julio Matos, tem pré-estréia no Centro de Convivência Campinas
Inspirado na trajetória de Suzy Santos, filme aborda política, direitos humanos e a luta da população trans no Brasil;
Com passagem pelo Festival de Cannes (Cannes Docs) e com estréia brasileira no Festival de Cinema de Gramado, longa terá lançamento nos cinemas em 2027.
Depois de estrear no 54º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais antigos e prestigiados do país, o documentário “Afrontosa” chega a Campinas no dia 15 de setembro. A sessão vai acontecer no Centro de Convivência Cultural, às 20h, com entrada gratuita (retirada no local com 1h de antecedência.
O longa-metragem, produzido pelo Laboratório Cisco e dirigido por Coraci Ruiz e Julio Matos, e que será distribuído nos cinemas brasileiros pela Cajuína Audiovisual, acompanha a vida de Suzy Santos durante o ano de 2024, período em que ela decidiu se candidatar a vereadora. Suzy é uma trabalhadora do SUS, redutora de danos e expressiva liderança LGBTQIA+ de Campinas. Em 2017 ela fundou a Casa Sem Preconceitos, um abrigo que acolhe pessoas trans em situação de vulnerabilidade. O projeto do filme teve início em 2021, quando os cineastas conheceram a trajetória e o impacto do trabalho de Suzy na comunidade.
A questão LGBTQIA+, especialmente trans, entrou na vida do casal de diretores em 2016, quando o filho mais velho iniciou um processo de transição de gênero. Como documentaristas, a forma que encontraram de entender melhor o processo familiar foi fazendo filmes. O primeiro documentário foi “Limiar” (2020), que estreou em um dos mais importantes festivais de documentário do mundo, o canadense Hot Docs, passou por mais de 80 festivais e recebeu 22 prêmios. O segundo foi “Germino Pétalas no Asfalto” (2022), que estreou na 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, participou de mais de 50 festivais e recebeu 15 premiações em diversos países.
“Afrontosa” encerra esta trilogia de longas sobre a cena LGBTQIA+ em Campinas. Localizada no interior do Estado de São Paulo, a cidade é bastante industrializada e profundamente conservadora. Vale ressaltar que foi a última cidade do país a abolir a escravidão, e o legado dessa história é sentido até hoje nas desigualdades sociais e no conservadorismo da classe política tradicional e dominante.
“Afrontosa” também trilhou um importante caminho internacional. Em 2025, o projeto foi selecionado para o Cannes Docs, voltado para filmes em desenvolvimento no Marché du Film do Festival de Cannes, onde os diretores integraram a comitiva oficial do cinema brasileiro. O filme também passou por laboratórios de desenvolvimento no Brasil, na Argentina e no Chile, além de contar com o apoio da fundação canadense AltérCine Foundation e recursos da Lei Paulo Gustavo.
Afrontosa representa mais um importante passo na trajetória do Laboratório Cisco. Com um histórico de produções exibidas e premiadas globalmente, além de parcerias com veículos como Canal Futura, TV Sesc, TV Cultura e o British Film Institute (BFI), a produtora reafirma sua relevância no cenário do cinema nacional.
SINOPSE:
Afrontosa – Documentário | 2026 | 86 min | Coraci Ruiz e Julio Matos – Brasil
Depois de viver nas ruas e sofrer todo tipo de violência, Suzy se reinventou, conseguiu um trabalho no SUS como redutora de danos e fundou uma casa de acolhimento para pessoas vulneráveis. Agora ela quer fazer mais pela sua comunidade e peitar a transfobia na conservadora cidade de Campinas. Trans, preta, periférica, sobrecarregada, com muitos filhos para cuidar e com pouco dinheiro no bolso, ela resolve encarar o maior desafio da sua vida: concorrer em uma campanha eleitoral.
SOBRE OS DIRETORES:
Coraci Ruiz e Julio Matos são uma dupla de documentaristas que trabalha junto desde 2003, quando fundaram a produtora Laboratório Cisco. Em mais de duas décadas de parceria, dirigiram longas, séries, curtas e outros conteúdos audiovisuais que receberam mais de setenta prêmios no Brasil e exterior. Entre seus trabalhos destacam-se os longas “Germino Pétalas no Asfalto” (2022), que estreou na 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, participou de mais de 50 festivais e recebeu 15 premiações em diversos países; “Limiar” (2020), que estreou no festival canadense Hot Docs, participou de mais de 80 de festivais e recebeu 22 premiações em diversos países; e “Cartas para Angola” (2012), que estreou no 17º É Tudo Verdade e foi premiado no Brasil, Angola, Portugal e Bélgica; além dos curtas “Utopia Muda” (2024), que teve estreia no 29º É tudo verdade, foi exibido em mais de 50 festivais e recebeu 16 premiações em festivais; e “Tudo que Importa” (2024), que participou de mais de 50 festivais e recebeu 10 premiações no Brasil, México e Paraguai.
SOBRE A CAJUÍNA AUDIOVISUAL
A Cajuína Audiovisual nasceu para fortalecer a diversidade na distribuição do cinema brasileiro, ampliando a representatividade das muitas culturas e histórias do país. Com sede em Salvador, Bahia, nossa missão é impulsionar a circulação de obras independentes por meio de estratégias de mobilização. Desde 2023, distribuímos títulos como Saudade fez morada aqui dentro, Parque de Diversões, Sede de Rio e Seu Cavalcanti. Siga: @cajuinaaudiovisual
SOBRE O LABORATÓRIO CISCO
Laboratório Cisco é uma produtora audiovisual sediada em Campinas (SP), fundada em 2003 e com foco na produção e pós-produção de documentários com temas ligados à cultura popular, movimentos sociais, meio ambiente e direitos humanos. Os projetos realizados incluem dez séries televisivas e mais de trinta filmes de curta, média e longa-metragem, além de vídeos e campanhas em diversos formatos. Seus trabalhos receberam mais de 90 premiações em diversos países.