Mulheres representam 57,4% das matrículas no ensino superior, e 62% dos universitários conciliam estudo e trabalho, aponta estudo do CIEE
Levantamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho, em parceria com o Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE, analisa o acesso à universidade, os desafios para a conclusão dos cursos e a evasão no ensino a distância
O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) apresentou um panorama da juventude brasileira no ensino superior durante uma nova edição do CIEE Conecta, realizada em outubro, em São Paulo, no contexto do lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho.
A iniciativa é voltada à análise de dados nacionais e à produção de inteligência de mercado para identificar tendências e compreender o perfil, os comportamentos e os desafios da juventude brasileira.
O estudo é desenvolvido em parceria com o Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE, iniciativa conjunta do CIEE com o FGV EESP Policy Lab. Elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o levantamento considera jovens brasileiros de 18 a 29 anos e evidencia avanços no acesso à universidade, além de desafios relacionados à permanência e à conclusão dos cursos.
Entre os principais resultados, as mulheres representam 57,4% das matrículas no ensino superior. O levantamento também aponta que 62% dos universitários conciliam a rotina acadêmica com o trabalho, reforçando a importância de políticas e iniciativas que favoreçam a integração entre formação educacional e experiência profissional.
Ensino a distância concentra maior índice de evasão
Os dados mostram diferenças expressivas entre as modalidades de ensino e as redes pública e privada. Na rede privada, 26,3% dos alunos estão matriculados em cursos a distância (EaD), enquanto, na rede pública, esse percentual é de 2,8%. Na rede privada, o ensino presencial noturno concentra 29,9% dos estudantes.
Apesar da expansão do acesso ao ensino superior, a conclusão dos cursos não acompanhou o mesmo ritmo. Entre 2009 e 2024, as matrículas cresceram mais de 48%, enquanto o número de concluintes avançou apenas 21%. A evasão também é mais expressiva entre estudantes de 25 a 29 anos.
Entre as áreas com maiores índices de desistência estão Serviços; Negócios, Administração e Direito; e Artes e Humanidades. Os resultados indicam ainda que a modalidade de ensino exerce influência importante sobre a permanência dos estudantes: em média, os cursos a distância apresentam o dobro da evasão registrada nos presenciais.
Acesso, permanência e qualidade são desafios para o setor
Após a apresentação do estudo, Daniel de Aquino Ximenes, diretor de Regulação da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), e Jeferson Altenhofen Ortiz, vice-presidente do Grupo Cogna Educação, participaram de um debate sobre estratégias para ampliar a atração de estudantes e reduzir a evasão universitária.
Ximenes destacou que a inclusão no ensino superior depende de três fatores: acesso, permanência e qualidade. Ao abordar os desafios da educação a distância, ressaltou a necessidade de acompanhamento contínuo dos estudantes.
“Nós temos uma taxa de evasão de 41,9% nas matrículas EaD. Não podemos olhar para o aluno que estuda a distância de forma isolada, ele tem que ser um aluno frequente no processo pedagógico todos os dias”, argumentou.
Na avaliação de Jeferson Altenhofen Ortiz, as dificuldades financeiras estão entre os principais motivos para o trancamento de matrículas, correspondendo a 70% dos casos considerados em sua análise. O executivo também destacou o papel da inserção profissional na permanência dos jovens na universidade: quando o estudante também é estagiário e está inserido no mercado de trabalho, a chance de trancar o curso diminui 20%.
Para o vice-presidente da Cogna, a experiência profissional pode contribuir para dar maior estabilidade à trajetória acadêmica e aproximar a formação educacional das perspectivas de carreira.
“O ensino superior é uma etapa dentro de uma jornada de aprendizagem que vai ser muito longa daqui para a frente, e é um fator extremamente importante do ponto de vista de ascensão profissional e ascensão salarial”, concluiu.
Dados ajudam a compreender as novas gerações
A programação do CIEE Conecta também contou com uma roda de conversa sobre “Como conectar, liderar e engajar a juventude”, mediada por Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE.
Dib destacou a importância de compreender o comportamento dos jovens a partir de dados concretos, um dos objetivos do Observatório CIEE Juventude e Trabalho. Segundo ele, as informações disponíveis ajudam a superar estereótipos sobre as novas gerações. No comportamento de consumo, por exemplo, os dados indicam que, ao contrário da percepção de que os jovens seriam imediatistas, eles podem tomar decisões de forma consciente e pragmática.
O superintendente também ressaltou que essa geração busca clareza na comunicação com gestores e empresas e que as lideranças têm papel fundamental na orientação e no desenvolvimento dos novos talentos.
“Nas escolas não existe essa transição para o mundo do trabalho, por isso é preciso mostrar aos jovens que a carreira ainda é construída passo a passo”, pontuou.
Observatório CIEE Juventude e Trabalho
O lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho e do Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE marca uma nova etapa na produção e na análise de informações sobre juventude, educação e empregabilidade. A parceria pretende desenvolver estudos e materiais conjuntos para contribuir com o debate público e subsidiar ações e políticas nacionais e internacionais voltadas à juventude.
A iniciativa busca aproximar a produção de evidências da formulação de estratégias para ampliar oportunidades educacionais e profissionais, compreender os desafios enfrentados pelos jovens e fortalecer a conexão entre educação e mundo do trabalho.
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