O maior erro dos investidores nos ciclos de volatilidade
Por Sílvio Faria
Campinas, 11 de maio de 2026 – Não é novidade para ninguém, não só no mercado de investimentos, que o gerador do maior lucro, na maioria das atividades, não é o preço que você vende algo. Mas sim o momento e o preço certo de aquisição para revenda.
Pergunte para qualquer lojista de carros, qual o percentual mais substancial de sua margem de lucro no momento que ele compra os veículos, pois a venda em si, se baliza em referências neste mercado tem como base a FIPE.
Trazendo para o mundo dos rendimentos no mercado de capitais, é sabido que oscilações de queda são, em sua grande maioria, oportunidades de aquisição de cotas de ações a preços considerados baratos, visando, nos médio e longo prazos, uma valorização com melhoras de cenário econômico, colocando resultados substanciais no bolso do investidor.
A armadilha mais comum daqueles que buscam ganhar mais dinheiro com sua carteira é comprar as ações quando elas estão em valores altos e com a primeira queda, em geral, por um movimento de aversão ao risco. Por questões relevantes a macroeconomia, em sua maioria, não suporta a queda do ativo e se desfazem da posição o mais rápido possível, visando mitigar a sensação de perda que esse cenário carrega.
Estamos passando nesse último mês por uma baixa relevante de nossa bolsa de valores, por diversos fatores, tais como: escalada dos conflitos do Oriente Médio por mais tempo que o previsto; redução das expectativas de corte de juros no Brasil e no mundo; pela inflação mais alta, oriunda do preço do petróleo maior, impactando o preço dos combustíveis; e a própria insegurança política e fiscal, com as eleições por vir no segundo semestre.
Com isso, muitos investidores questionam se é momento de entrar na bolsa, ou mesmo de manter suas posições, uma vez que a renda fixa se torna mais atrativa por mais tempo, o que motiva muitas pessoas mais conservadores a se evadirem dos produtos de renda variável e buscarem o conforto nos produtos considerados mais seguros.
O movimento mais assertivo é ter um portfólio diversificado e coeso a seu perfil de risco. Existe, dentro de certos percentuais, oportunidades relevantes no mercado acionário brasileiro que podem ser aproveitados em cenários voláteis como esse.
Não existe regra de ouro e nem ativos milagrosos. E, convenhamos, apostar em um só tipo de investimento torna a assertividade mais complexa, pois se o mercado está favorável para aquele ativo a carteira vai bem, porém se as coisas mudam, 100% de sua carteira irá perder performance, trazendo as médias de retorno abaixo do esperado.
Por isso, acompanhar e acreditar em certas ações, independente dos cenários, avaliando os fundamentos gerais das empresas, e posicionar parte aceitável de seu portfólio nessas opções, fazendo compras regulares e aguardando os movimentos de melhora da economia, poderão trazer resultados excelentes, lembrando que o que muda o jogo é entender que ativos dessa característica são para prazos mais longos e que o curto prazo não define se aquele investimento é bom ou ruim.
Fugir dos movimentos de manada e confiar em sua estratégia podem fazer com que o seu eu do futuro te agradeça pela resiliência empregada no processo e te farão olhar para trás e entender que todo o esforço psicológico de segurar recurso em algo que faça sentido e que esteja aderente a suas crenças tornam o alcance de seus objetivos patrimoniais mais satisfatórios, afinal a máxima dos investimentos é soberana: Você só perde quando vende, portanto se o ativo é bom, aguarde o momento certo e não cometa os erros da maioria.
Sílvio Faria, consultor financeiro