Quando Conectar Pessoas se Torna Estratégia de Crescimento?

Em sua segunda edição, o Dyscamp Connect reuniu indústria, distribuição e varejo em Campinas e mostrou como relacionamento, informação e proximidade podem se transformar em oportunidades de negócio.
Por Cárla Falcão | Histórias de Conexão
Em um evento com centenas de pessoas, estandes, lançamentos, negociações e grandes marcas do mercado de beleza e cuidados pessoais, seria natural olhar primeiro para os produtos.
Eu olhei para as conexões.
No dia 19 de agosto, acompanhei a segunda edição do Dyscamp Connect, no Expo Boulevard Iguatemi, em Campinas. Criado pela Dyscamp para aproximar indústrias parceiras e clientes do varejo, o encontro reuniu em um mesmo ambiente apresentação de novidades, relacionamento, negociação e geração de oportunidades comerciais.
Talvez porque, trabalhando há anos com LinkedIn, relacionamento e posicionamento profissional, eu tenha aprendido a observar o que acontece quando pessoas, empresas e oportunidades são colocadas no mesmo ambiente. E foi justamente isso que encontrei.
Conversando com a direção da Dyscamp, que se aproxima dos 28 anos de atuação, entendi melhor a estratégia por trás do encontro. A empresa nasceu a partir da experiência de seu fundador, Pedrinho, no mercado e, ao longo de sua trajetória, ampliou sua atuação no atacado e na distribuição.
Hoje, a Dyscamp enxerga seu negócio a partir de três elos que precisam estar conectados: indústria, distribuidora e cliente. O Connect materializa justamente essa aproximação.
Essa relação com a indústria também se traduz em projetos com equipes dedicadas a grandes marcas do mercado. Empresas como Wella, Coty, Nivea e Genomma apostam na Dyscamp como distribuidora no Estado de São Paulo, especialmente no atendimento ao canal de perfumarias.
Esse modelo exige muito mais do que logística. Exige conhecimento do canal, entendimento do posicionamento de cada marca, proximidade com o ponto de venda e equipes preparadas para transformar estratégia em presença comercial.
Talvez por isso uma frase que ouvi durante a conversa com a Dyscamp tenha ficado comigo:
“O relacionamento abre porta. Ele não fecha negócio, mas traz oportunidades.”
Caminhando pelos estandes, comecei a perceber aquela frase acontecendo na prática.
O Dyscamp Connect funcionava também como uma pequena fotografia dos movimentos de um mercado extremamente competitivo. No mesmo ambiente estavam empresas consolidadas, marcas jovens buscando ampliar participação, novos entrantes tentando conquistar espaço e indústrias apresentando produtos que acompanham mudanças no comportamento do consumidor.
A Embelleze, por exemplo, levou novidades da Novex que mostram como tendências que ganharam notoriedade em outras categorias da beleza começam a chegar também aos cuidados capilares. Entre os lançamentos apresentados estão as Terapias Coreanas Novex e o PDRN – DNA de Salmão, desenvolvido para cabelos danificados. A marca também vem trabalhando seu posicionamento em torno da terapia capilar e do chamado “efeito ampola”, com ativos concentrados e foco em performance.
Mas, para mim, tão interessante quanto conhecer o lançamento foi observar onde aquela apresentação estava acontecendo.
Em vez da velocidade e da disputa por atenção comuns às grandes feiras, havia espaço para indústria e varejo conversarem, conhecerem as novidades e entenderem melhor como elas podem chegar ao consumidor.
Inovação também precisa de espaço para conversa.
Jorge Alan, gerente de vendas regional Sul da Embelleze, resumiu bem essa percepção ao falar sobre a participação da empresa no encontro. Para ele, estar no Dyscamp Connect é estar próximo do mercado, do distribuidor e, principalmente, dos clientes. É uma oportunidade de fortalecer relacionamentos, apresentar novidades, ouvir as necessidades do varejo e transformar proximidade em novas oportunidades e resultados.
E aqui começa a aparecer algo maior.
Uma indústria pode desenvolver um excelente produto, investir em comunicação e gerar desejo. Mas existe uma etapa fundamental entre a criação e o consumidor: fazer essa inovação chegar à ponta, ser compreendida pelo varejista e finalmente encontrada por quem compra.
A conversa com RobertaNascim, da ProHall, reforçou essa percepção. A marca, que está no mercado há cerca de nove anos, apresentou diferentes soluções do seu portfólio e destacou a importância do contato direto com os tomadores de decisão. Como ela resumiu durante nossa conversa:
“A gente consegue fortalecer o laço e indicar cada linha para cada cliente.”
Parece simples, mas existe uma questão comercial importante nessa fala.
Não basta colocar um produto na prateleira. É preciso ajudar quem compra a compreender por que aquele produto deveria estar ali.
Espaço para quem está chegando, e para quem já é grande. Essa proximidade se torna ainda mais relevante quando observamos empresas em momentos completamente diferentes de suas trajetórias.
A Good Smiles, por exemplo, chegou ao Dyscamp Connect com apenas alguns meses de mercado e o desafio de conquistar espaço em uma categoria bastante concentrada.
Marcos Silva, diretor comercial da empresa, explicou que o segmento de higiene oral tem forte presença de grandes multinacionais, mas acredita que ainda existe espaço para novos competidores que tragam inovação, qualidade e diferenciação.
Para uma marca que está começando, encontrar diretamente compradores de perfumarias e farmácias significa mais do que apresentar um produto. Significa começar a construir presença, confiança e relacionamento.
Mas o evento também mostrou o outro lado dessa equação: empresas consolidadas continuam investindo em proximidade.
Paulo Spera, gerente regional de São Paulo da Cless Cosméticos, definiu a participação no Dyscamp Connect como estratégica justamente pela oportunidade de se conectar diretamente com centenas de clientes de perfumarias e farmácias. Na sua percepção, essa proximidade fortalece a parceria com o distribuidor, gera confiança no ponto de venda e permite compreender mais de perto as necessidades do varejo.
A presença de marcas amplamente conhecidas pelo consumidor reforçou outra percepção que tive naquele dia:
Ser conhecido não elimina a necessidade de permanecer conectado.
Os próprios lançamentos apresentados nos estandes ajudavam a contar a história de um setor atento às transformações do consumidor. Novos ativos, novas formulações, praticidade, autocuidado e produtos desenvolvidos para necessidades cada vez mais específicas mostravam que inovação não acontece apenas na criação de algo novo. Ela também acontece na capacidade de escutar o mercado.
Quando o distribuidor também conecta.
Depois de algumas horas caminhando pelo Dyscamp Connect e conversando com pessoas em diferentes pontos dessa cadeia, o papel de uma distribuidora começou a aparecer para mim de uma forma ainda mais ampla.
Entre a indústria que desenvolve e o varejista que conversa diariamente com o consumidor existe um elo capaz de aproximar esses dois universos.

Uma distribuidora não movimenta apenas produtos. Ela também pode fazer informação, relacionamento e oportunidades circularem junto com eles.
E a própria expansão da Dyscamp ajuda a contar essa história. A empresa está implantando em Bauru sua primeira filial fora da região de Campinas. A distância de aproximadamente 300 quilômetros tornava o atendimento aos clientes daquela região mais demorado, e a nova operação nasce justamente com o objetivo de reduzir essa distância e agilizar as entregas.
Achei interessante perceber a semelhança entre os dois movimentos.
No Dyscamp Connect, a empresa encurta a distância entre pessoas.
Em Bauru, encurta a distância entre operação e cliente.
Em ambos existe uma palavra em comum: Proximidade.
Produtos mudam. Tendências surgem. Novas marcas entram no mercado enquanto outras atravessam décadas acompanhando as transformações do consumidor. Mas existe algo que continua essencial em qualquer um desses momentos: relacionamento.
Talvez por isso aquela frase que ouvi no início da minha conversa com a Dyscamp tenha feito ainda mais sentido quando deixei o evento:
“O relacionamento abre porta. Ele não fecha negócio, mas traz oportunidades.”
E, em mercados cada vez mais competitivos, talvez uma das grandes vantagens de construir conexões seja justamente essa: quando a oportunidade aparecer, a porta já estará aberta.
Cárla Falcão
Especialista em LinkedIn e conexões estratégicas para negócios. Atua com desenvolvimento de marcas pessoais, treinamentos corporativos e estratégias de posicionamento no LinkedIn. É criadora do projeto Histórias de Conexão.