Rádio é informação, diversão e companheirismo
Por Arieli Prado*
“O rádio vai acabar. Com a chegada da TV, ninguém vai querer ouvir rádio. Na velocidade da internet, agora sim o rádio não tem futuro!”, é o que se dizia. Porém, chegamos em 2026, com um crescimento absurdo desse veículo tão presente no cotidiano de muitas pessoas.
De acordo com dados da 48º edição (2025) do “Data Stories — Inside Audio”, da Kantar IBOPE Media, “92% da população consumiu algum tipo de áudio nos últimos 30 dias, seja em forma de rádio, música, streaming ou podcast. Para o público, o rádio ainda se apresenta como um canal de grande alcance no Brasil, sendo ouvido por 79% das pessoas nas principais regiões metropolitanas”.
Além disso, segundo o levantamento, o som tem “amplo poder na dimensão afetiva, sendo associado à emoção em 54% dos casos. Entre os ouvintes de rádio, 60% associa o meio à informação, 36% à diversão e 29% ao companheirismo”.
E quando se fala em emoção e companheirismo, lembramos de quem está por trás do microfone. É ele, o radialista, comemorado no dia 7 de novembro, fazendo memória a alguém que contribuiu significativamente para a história do rádio no Brasil, o compositor e radialista, Ary Barroso, nascido em 7 de novembro de 1903, em Ubá, Zona da Mata Mineira. Ao longo dos seus 60 anos, criou 264 canções!
No rádio, o sucesso não foi diferente. Por volta de 1930, Ary Barrosos foi um dos pioneiros da locução esportiva. Nessa época, a narração era feita à beira do campo, no meio da arquibancada, entre as torcidas. Você que não viveu essa época, consegue imaginar uma narração de futebol no meio do barulho dos torcedores? Como os ouvintes iriam entender alguma coisa? Muito criativo e musical, Ary Barroso resolveu de um jeito simples esse impasse. Ele comprou uma gaita de brinquedo e toda vez que saía um gol, ele tocava o instrumento, cujo som agudo sobressaía ao ruído do estádio e avisava claramente o ouvinte. Era gol! Se fosse do seu time do coração, Flamengo, o som da pequena gaita saia com ânimo e longo, mas se fosse do time adversário, em especial do Vasco, saia curto e desanimador, quase ninguém ouvia. Em seguida, seu bordão “Eu não quero nem olhar“.
Há outros bordões históricos de radialistas, por exemplo, “Ripa na chulipa!”, do locutor Osmar Santos e “Olho no lance!”, de Silvio Luiz.
Assim é o radialista: ele está nas narrações de futebol, no entretenimento, nas notícias, na interação com os ouvintes, inclusive pelas redes sociais, sendo capaz de falar da situação do bairro e até dos confins da Terra. Um profissional versátil, que tem a capacidade de aproximar gerações e fazer parte da família de quem está do outro lado acompanhando diariamente. Eles criam programas, apresentam notícias, selecionam músicas e levam alegria às nossas vidas. No caso dos profissionais da Rádio Canção Nova, sempre evangelizando, “Espalhando o Amor de Deus pelo ar!”
Será que o Padre Roberto Landell de Moura (1861–1928), reconhecido como um dos pioneiros mundiais das telecomunicações e a quem se atribui a invenção da transmissão de voz por ondas de rádio, poderia sequer imaginar a força do rádio em pleno século 21?
* Arieli Prado é editora-chefe do jornalismo da Rádio Canção Nova e apresentadora do programa Café da Manhã, pela 96,3 FM.
