Setor de parques e atrações cresce no Brasil e amplia demanda por profissionais especializados em gestão

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Com 143 milhões de visitantes e R$ 11,5 bilhões em investimentos programados, mercado amplia demanda por profissionais especializados; formação da UCS, ADIBRA e SINDEPAT chega à quarta turma

O crescimento do mercado brasileiro de parques, atrações turísticas e entretenimento começa a colocar em evidência um desafio que acompanha a expansão dos negócios: a formação de profissionais preparados para atuar em um setor cada vez mais complexo e especializado.

Dados da quarta edição do Panorama Setorial de Parques, Atrações Turísticas e Entretenimento no Brasil, realizado pelo SINDEPAT e pela ADIBRA, sob liderança de Caroline Negri, presidente-executiva do SINDEPAT, e Cyntia Carneiro, diretora de Educação da ADIBRA, apontam que o segmento recebeu 143 milhões de visitantes em 2025, crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior. O levantamento identificou ainda 869 empreendimentos e R$ 11,5 bilhões em investimentos programados, dos quais R$ 7,1 bilhões estão relacionados a novos projetos.

Para Marina Agibert, fundadora da Sparky, professora de pós-graduação e especialista em turismo, entretenimento e desenvolvimento de negócios, o crescimento do setor amplia também a demanda por profissionais capazes de compreender as diferentes áreas que formam uma operação de entretenimento.

“O setor de parques e atrações reúne características muito particulares. É uma operação que envolve experiência do visitante, hospitalidade, segurança, vendas, marketing, gestão de pessoas, finanças, tecnologia e uma série de outros elementos que precisam funcionar de forma integrada. À medida que os empreendimentos crescem, também cresce a necessidade de profissionais que tenham uma visão mais ampla e, ao mesmo tempo, conheçam as especificidades desse mercado.”

Segundo ela, a formação especializada pode ajudar a aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades práticas das empresas.

“Durante muito tempo, quem queria construir uma carreira nesse segmento precisava buscar conhecimentos em diferentes áreas e adaptá-los à realidade dos parques e atrações. Hoje, já existem iniciativas que fazem essa ponte de maneira mais estruturada, aproximando profissionais, empresas e academia.”

Formação específica aproxima teoria e prática

Uma dessas iniciativas é a pós-graduação em Gestão de Parques e Atrativos Turísticos, oferecida pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), em parceria com a Associação Brasileira de Parques e Atrações (ADIBRA) e o Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (SINDEPAT). A formação chega à quarta turma em 2026.

Com 360 horas, o curso é voltado a profissionais graduados que já atuam ou pretendem atuar em posições de gestão em parques, atrações turísticas e negócios de entretenimento. A programação combina conteúdos de gestão, turismo e entretenimento com aspectos específicos da operação do segmento.

Um dos diferenciais apontados pela coordenação é a composição do corpo docente, que reúne professores da área acadêmica e profissionais com experiência prática no mercado.

“Estrategicamente trouxemos professores ativos no mercado para reduzir a distância da sala de aula com a prática do dia a dia profissional. Temos tido feedbacks positivos em relação à mescla do corpo docente acadêmico e técnico”, afirma o professor doutor Maguil Marsilio, coordenador do curso.

Marina Agibert integra o corpo docente e ministra a disciplina de Gestão Comercial & Vendas no Turismo.

“Me senti honrada com o convite, pois poder contribuir para o desenvolvimento dos profissionais de Turismo e Entretenimento é, para mim, como se estivesse retribuindo tudo o que colhi e colho desse setor.”

Da sala de aula para a operação

A percepção dos alunos da terceira turma reforça justamente essa aproximação entre conteúdo e aplicação prática.

Gerente de Planejamento, Inteligência e Performance do Eco Park Campo Grande, Eduardo Nogueira afirma que a formação tem contribuído para ampliar sua visão sobre a gestão de um parque aquático.

“Você tem a oportunidade de ter contato com profissionais que vivem a sua realidade, que sabem o que é uma operação, o impacto da sazonalidade, como trabalhar gestão de pessoas e gestão de conflitos”, relata.

Para ele, outro diferencial está na possibilidade de aplicar metodologias e ferramentas apresentadas pelos professores diretamente na rotina profissional.

Gerente Geral Operacional do AquaRio, Lilian Martins também destaca essa aplicação prática. À frente de uma equipe de 269 pessoas, ela conta que a formação ampliou sua visão sobre a operação e a experiência oferecida aos visitantes.

“Antes da pós, a gente pensava assim: ‘Vamos fazer a operação funcionar, vamos fazer acontecer, vamos fazer girar’. E a pós tem agregado bastante, principalmente na parte de gestão.”

Um dos exemplos citados por Lilian aconteceu durante um feriado, quando o AquaRio recebeu 9.162 visitantes em um único dia. Diante da operação sobrecarregada, ela aplicou uma estratégia discutida em aula sobre priorização de produtos em momentos de alta demanda.

“Consegui fazer na prática o que o professor Oliver Krause falou na aula. Foi muito interessante. A operação estava sobrecarregada, então a gente tinha que saber se virar.”

Além do conteúdo técnico, os alunos destacam ainda o intercâmbio entre profissionais de diferentes empresas e regiões do país como parte importante da experiência.

Para Marina, esse contato é especialmente relevante em um setor que ainda está construindo e sistematizando conhecimento próprio.

“Quando profissionais que vivem diferentes realidades conseguem compartilhar experiências, problemas e soluções, o aprendizado deixa de ser apenas teórico. Essa troca também ajuda o próprio setor a amadurecer, porque permite identificar práticas que funcionam, discutir desafios comuns e desenvolver uma visão mais estratégica sobre o negócio.”

A quarta turma da pós-graduação foi apresentada oficialmente em uma live realizada em 28 de setembro, com participação da UCS, ADIBRA, SINDEPAT, professores e profissionais que integram a formação.

Serviço

Pós-graduação em Gestão de Parques e Atrativos Turísticos – UCS
Modalidade: on-line, com duas imersões presenciais
Carga horária: 360 horas
Aulas: segundas e terças-feiras, das 19h30 às 22h30
Público: profissionais graduados que atuam ou desejam atuar na gestão de parques e atrativos turísticos
Inscrições: até 20 de outubro de 2026

A formação inclui duas imersões presenciais, com visitas técnicas em Gramado e Canela (RS) e em São Paulo.

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