Unicamp, sexagenária inovadora
Por Adilson Roberto Gonçalves
Entrando no 60o ano de vida, eu e a Unicamp temos apenas oito meses de diferença. Posso dizer que eu estava sendo gestado quando a Universidade foi oficialmente fundada, em 5 de outubro de 1966. Fui seu aluno por um bom período, entrando em 1985 no curso de graduação em Química, concluído no início de 1989. Era para ser no final de 1988, mas aquela greve de três meses que uniu professores, servidores técnico-administrativos e alunos assim estendeu o calendário para o ano seguinte. Adentrei a pós-graduação imediatamente na sequência, ou melhor, a admissão se deu antes de concluir as últimas provas da graduação, pois os coordenadores não reconheceram a mudança de calendário da própria instituição. Contradições da Unicamp.
O Mestrado foi continuado no Doutorado, ambos em Química, estudando a mais desafiadora das macromoléculas naturais – a lignina. Com um estágio doutoral realizado na Alemanha de dois anos, fui oficialmente me desligar da Unicamp em 1995, uma década depois do ingresso, com a defesa de minha tese (https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/93106). Assim, logo que entrei, vivi a efeméride da segunda década da Universidade, e, agora, acompanho as comemorações da sexagenária instituição de ensino, pesquisa, extensão e inovação. Sim, ao clássico tripé acadêmico é acrescentada a capacidade de converter conhecimento em tecnologia, tendo se tornado a quinta instituição no Brasil que mais deposita patentes, superada apenas por uma empresa privada, pela Petrobras e por duas outras universidades públicas, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Isso é um sintoma do baixo investimento por parte do industrial brasileiro na inovação, que prefere adquirir tecnologia pronta vinda de fora do que desenvolvê-la aqui, assunto por diversas vezes discutido alhures.
Você sai da Unicamp mas ela não sai de você. Retornei a lá estudar em 2017 para a Especialização em Jornalismo Científico, pelo período de 18 meses, aprendendo como fazer a comunicação de ciência para o grande público, uma vez que o desconhecimento desse tema é grande, ampliado pela divulgação de notícias falsas e de uma política de negacionismo por parte de alguns grupos políticos. Usando o envolvimento com os jornais impressos, a monografia finalizada para concluir o curso foi acerca das cartas de leitores relacionadas a ciência e tecnologia publicadas nesses veículos.
Para o aniversário de 60 anos da Unicamp, a instituição criou um espaço virtual para tratar de todos os eventos comemorativos e devidamente enaltecer sua história (https://60anos.unicamp.br/). Neste mês saiu também mais um ranking que avalia o desempenho de todas as universidades brasileiras. O Ranking Universitário Folha (RUF) aponta, como das outras vezes, apenas instituições públicas entre as 20 melhores, quaisquer que sejam os parâmetros usados. As universidades privadas aparecem a partir da 23a posição. A Unicamp está em segundo lugar, superada apenas pela USP (https://ruf.folha.uol.com.br/2026/), mostrando que a excelência acadêmica é obtida por meio de investimentos públicos, os quais devem ser preservados e defendidos por todos nós.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.
