Indústria é decisiva para o Brasil ampliar seu protagonismo global

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Rafael Cervone*

O Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, numa homenagem a Roberto Simonsen, seu patrono, ganha singular simbolismo em 2026, pois coincide com os 250 anos da instalação, em 1776, na Inglaterra, das pioneiras máquinas a vapor do engenheiro escocês James Watt, marco histórico da Primeira Revolução Industrial. O tear mecânico tornou-se o grande símbolo daquele período, enquanto os motores a vapor impulsionaram fábricas, navios e ferrovias.

Entre a segunda metade do Século XIX e o início do XX, a eletricidade inaugurou uma nova era industrial, com destaque para as linhas de montagem. Depois da Segunda Guerra Mundial, veio a Terceira Revolução Industrial, sustentada pelo avanço da informática e da eletrônica.

Hoje, vivemos a Quarta Revolução Industrial, com a IA e o boom tecnológico. O Brasil, porém, não pode chegar atrasado novamente a uma nova era. Não teve culpa quando perdeu essa oportunidade no período colonial, pois as atividades manufatureiras enfrentaram severas restrições de Portugal.

Por isso, temos a obrigação de promover o fomento do setor, crucial para nosso desenvolvimento. Seu salto mais significativo no País ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial, quando as dificuldades de importação estimularam o fortalecimento da produção nacional. Foi nesse contexto que nasceu, em 1928, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), criado para apoiar uma atividade estratégica para o crescimento econômico sustentado.

Apesar dos avanços conquistados no Século XX, a indústria perdeu espaço nas últimas décadas. Sua participação no PIB caiu de cerca de 25% para 11%, reflexo do agravamento do “Custo Brasil” e da ausência de políticas consistentes para seu fortalecimento. Agora, o País precisa avançar em um novo ciclo de reindustrialização, como defendem as entidades representativas do setor e como preconizam programas como a Nova Indústria Brasil (NIB).

Entretanto, não bastam iniciativas pontuais de governo. É indispensável estabelecer políticas de Estado permanentes, capazes de assegurar segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade para investimentos de longo prazo. Ao mesmo tempo, é necessário enfrentar os obstáculos históricos que comprometem a competitividade nacional: burocracia excessiva, juros elevados, insegurança jurídica e pública, dificuldade de acesso ao crédito, sistema tributário complexo, infraestrutura precária e logística cara e ineficiente.

O lado positivo é que o Brasil reúne atributos relevantes para assumir papel de destaque na Indústria 4.0: mercado consumidor expressivo, matriz energética limpa, agronegócio que atende à demanda de matérias-primas, riqueza mineral, competência tecnológica e forte capacidade empreendedora. Assim, temos a obrigação de aproveitar a janela histórica aberta pela presente revolução industrial para nos tornar um dos grandes protagonistas globais.

*Rafael Cervone, engenheiro têxtil formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Roncon & Graça Comunicações
Jornalistas: Edécio Roncon / Vera Graça

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