O valor do “lá atrás” na construção do futuro
Por Gustavo Reis, vice-presidente da Associação Paulista de Municípios e ex-prefeito de Jaguariúna
Recentemente, tive a honra de estar ao lado do Governador Tarcísio de Freitas para o lançamento da pedra fundamental do Trem Intercidades (TIC) e do Hospital Metropolitano. No palanque, entre sorrisos e apertos de mão, ouvi o governador mencionar repetidas vezes que eu o havia procurado “lá atrás” para tratar desses temas. Para muitos que acompanham pelos vídeos curtos de redes sociais, o “lá atrás” parece um tempo abstrato. Mas, na gestão pública, o “lá atrás” é onde o suor e a paciência se encontram com a burocracia para transformar sonhos em realidade.
Gerir uma região com a complexidade da nossa RMC exige entender que obras de grande porte não nascem por geração espontânea. Elas exigem maturação. Quando assumi a presidência do Conselho de Desenvolvimento da RMC, minha missão era clara: tirar do papel demandas que as nossas 20 cidades esperavam há décadas.
O Hospital Metropolitano, por exemplo, não começou agora. Foram meses de articulação técnica, reuniões na Unicamp para viabilizar o terreno de 40 mil metros quadrados e incontáveis idas a São Paulo para convencer o Estado de que o HC da Unicamp não poderia mais carregar sozinho o peso da nossa saúde regional. O governador foi justo ao lembrar dessas reuniões iniciais em 2022 e 2023, porque sem aquele primeiro passo — a formalização da necessidade e a inclusão no orçamento — a pedra de hoje jamais seria lançada.
O mesmo vale para o Trem Intercidades. Estivemos na B3, na batida do martelo, mas o trabalho real aconteceu no alinhamento dos interesses das cidades que serão cortadas pelos trilhos. É um processo que envolve licenciamentos ambientais, estudos de viabilidade e processos licitatórios rigorosos, conforme exige a legislação. Na vida pública, quem tem pressa para colher o fruto muitas vezes esquece de quem preparou a terra e plantou a semente.
Aos que questionam a nossa presença nesses momentos, faço um convite à reflexão sobre a engrenagem do Estado. Uma obra pública é uma corrida de bastão. Eu não sou mais o prefeito de Jaguariúna, mas continuo sendo um cidadão da nossa região e um articulador que acredita que a política só faz sentido quando gera legado.
O “lá atrás” a que o governador se refere é o testemunho de que a persistência compensa. Estar no palanque hoje não é uma questão de vaidade, mas um dever de prestar contas de um trabalho que começou quando o hospital e o trem eram apenas linhas em um papel e uma vontade política no coração. O futuro da nossa região é construído assim: com visão de ontem, trabalho de hoje e o benefício de amanhã para todos.