SindusCon-SP antevê crescimento de 6,1% no PIB da construção em 2022 e tempos difíceis em 2023

O PIB da indústria da construção deve crescer cerca de 6,1% em 2022 e algo deste ciclo de crescimento será carregado para 2023. Entretanto, a incerteza em relação à futura política econômica do Executivo, a falta de recursos para investimentos públicos e a polarização no Legislativo e no país anteveem tempos difíceis. Esse foi o panorama apresentado em 5 de outubro, na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, conduzida pelo vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, com a participação do presidente da entidade, Odair Senra.  

Zaidan analisou que a percepção otimista da indústria da construção sobre sua atividade atual resulta de um momento de negócios que já passou. A dúvida é se este momento continuará propício ao setor. Falta clareza sobre a política econômica a ser adotada e como ela impactará a taxa de investimento, que afeta de forma direta a construção, comentou. 

“Cobrar uma política responsável para um governo que se inicia é um dever que temos. Para o reequilíbrio das contas públicas, é preferível pagar uma conta maior agora e menor no futuro. Mas a polarização está mais aguda. Metade da população estará contrariada, e o próximo presidente da República terá dificuldade, vai descontentar muita gente; tempos mais difíceis virão, seja quem for o eleito.”  Além disso, a construção terá de se organizar para enfrentar a falta de mão de obra especializada – um problema estrutural, a seu ver. 

Regional Campinas – Na avaliação do diretor da Regional Campinas do SindusCon-SP, Marcio Benvenutti, alguns indicadores da Pesquisa de Conjuntura apontam uma tendência de acomodação, pelo menos até o final do ano. “O custo dos materiais para a construção, após sucessivos aumentos nos últimos meses, atingiram um teto de acomodação, inclusive com uma pequena redução em agosto, de 0,15%, a primeira do ano. O aumento de 5,5% na contratação de mão de obra para o setor em agosto é outro dado positivo para a indústria. Já a falta de mão de obra especializada continua um problema para o setor, inclusive de engenheiros”, acrescentou.

Em relação às tendências do setor, Benvenutti afirmou que o mercado regional aponta para uma migração das pessoas que passaram a buscar moradias nos centros urbanos, principalmente em cidades de maior porte, em detrimento das regiões mais periféricas. O diretor explicou que o custo do metro quadrado, está possibilitando com que as pessoas comprem imóveis em áreas centrais desses municípios e também com isso reduzem seu tempo e também os custos com deslocamentos para o trabalho e outras atividades.

Discurso Vazio – De acordo com Robson Gonçalves, professor da FGV, são vazios os discursos das duas candidaturas à Presidência da República sobre a condução da futura política econômica. “O atual ministro da Fazenda afirma que, para o equilíbrio das contas públicas, terá como meta a relação dívida pública/PIB, sem explicar como. A outra candidatura não falou nada e começa a soltar balões de ensaio. 

Gonçalves atribuiu a forte elevação da Bolsa, ocorrida no dia seguinte à eleição do primeiro turno, ao fato de o mercado de capitais estar animado com as perspectivas econômicas, independentemente de quem se eleger, por conta do futuro Congresso majoritariamente conservador. 

“Entretanto, estamos diante de um processo de dominância fiscal, onde a política monetária é reflexo do desequilíbrio das contas públicas, com manutenção dos juros altos por mais tempo. Já na dominância monetária, a taxa de juros sobe ou desce de acordo com a inflação, o que possibilita um aumento dos gastos públicos quando a taxa cai. Há necessidade de restaurar a liderança da política monetária, mediante a busca do reequilíbrio fiscal, com preservação da autonomia do Banco Central”, afirmou. 

Para que a solução para o aumento da dívida pública não ocorra mediante a ‘argentinização’ da economia – na qual o governo argentino não consegue financiar o déficit público, monetiza a dívida e eleva a inflação em 100% ao ano –, é importante se colocar em pauta a redução dos gastos públicos, iniciando-se com uma reforma administrativa. “Já a reforma tributária é incerta no curto prazo, mas poderá ensejar uma perda no curto prazo para a obtenção de um ganho em longo prazo”, afirmou. Comentando a falta de mão de obra especializada na indústria da construção, Gonçalves atribuiu o problema à falta de política pública educacional voltada ao crescimento econômico. 

Desempenho da Construção – Na apresentação, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), mostrou o crescimento de 10,5% do PIB da construção no acumulado de 12 meses até o final de junho deste ano. Ela informou que o Ibre/FGV projeta crescimento de 6,1% do PIB do setor, e de 2,5% para o PIB nacional. 

A economista mostrou que, de um lado, as vendas e a produção de materiais de construção caíram em torno de 8% desde o início do ano: as vendas, por conta da queda na demanda das famílias; e a indústria sofre em parte com a queda da demanda do comércio, mas o declínio não é tão significativo. O consumo de cimento também apresenta queda, mas se mantém acima do cenário de antes da pandemia. 

Já a população ocupada na construção (com e sem carteira assinada) mostra crescimento de 7%, estando em patamar acima daquele de antes da pandemia. E o emprego com carteira no setor até o final de agosto mostra a criação de 248 mil novos empregos formais em 12 meses, contribuindo fortemente com a geração de empregos na economia.  

Ana Castelo informou que, no mercado imobiliário, as vendas continuaram crescendo fortemente no primeiro semestre, especialmente no segmento de médio e alto padrão. Na cidade de São Paulo, as vendas vêm crescendo neste segmento, porém caindo no segmento econômico. O ritmo de crescimento dos lançamentos desacelerou. 


Roncon & Graça Comunicações
Jornalistas: Edécio Roncon / Vera Graça

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