Smartwatch no treino: como usar a tecnologia a seu favor sem virar refém dos números
Leandro Twin, embaixador da rede Bluefit, explica como acompanhar os dados durante as atividades físicas sem transformar metas e notificações em fontes de ansiedade
Relógios inteligentes e aplicativos de atividade física se tornaram companheiros de quem pratica exercícios. Passos, calorias, frequência cardíaca, qualidade do sono e estimativas de recuperação são algumas das informações disponíveis na tela e que podem ajudar a acompanhar a evolução dos treinos. Mas, em meio a tantos números, é importante lembrar que a tecnologia deve ser uma aliada, e não mais uma fonte de cobrança.
Para Leandro Twin, professor de Educação Física, especialista em treinamento e embaixador da Bluefit, o segredo está em saber interpretar as informações sem deixar que elas determinem, sozinhas, a qualidade de uma atividade. “O relógio pode ajudar bastante a entender a evolução do treino, mas os números precisam ser analisados com contexto. Um dia em que você correu mais devagar ou deu menos passos não significa que perdeu condicionamento ou que deixou de cuidar da saúde. É preciso olhar para o conjunto, e não para um resultado isolado”, explica.
Os dispositivos vestíveis permitem acompanhar tendências e identificar padrões ao longo do tempo, como mudanças na frequência cardíaca ou a relação entre noites mal dormidas e o rendimento durante o exercício. Ainda assim, muitas dessas informações são estimativas e podem sofrer influência de fatores como temperatura, estresse, hidratação e intensidade da atividade. A precisão também varia conforme o tipo de exercício: a frequência cardíaca medida por relógios de pulso, por exemplo, costuma ser menos precisa durante a musculação do que em atividades contínuas, como corrida e ciclismo, devido às características dos movimentos e às mudanças de intensidade.
Nem todo treino precisa bater uma meta
Uma das armadilhas de acompanhar tantos indicadores é transformar objetivos diários em obrigações. A meta de passos não atingida, o gasto calórico abaixo do esperado ou um ritmo mais lento podem gerar frustração, mesmo quando a pessoa está mantendo uma rotina ativa.
“É importante não confundir o indicador com o objetivo. Se você está treinando para melhorar a corrida, acompanhar o ritmo pode fazer sentido. Se o objetivo é ganhar força, registrar as cargas e as repetições pode ser muito mais útil. Não é necessário monitorar tudo, mas escolher as informações que realmente ajudam a entender a evolução”, afirma Twin.
A mesma lógica vale para o gasto calórico. Os relógios inteligentes apresentam apenas uma estimativa do gasto energético, que pode ter uma margem de erro considerável e, em muitos casos, superestimar as calorias consumidas durante a atividade. Por isso, esse número não deve ser tratado como uma medida precisa do resultado do treino nem como uma justificativa para compensar o que foi consumido na alimentação.
O corpo também dá sinais importantes
Embora os dados ajudem a identificar padrões, a percepção individual continua sendo importante. Antes de começar um treino, observar a disposição, a qualidade do sono, o nível de cansaço e possíveis desconfortos pode ajudar a entender como o corpo está respondendo à rotina.
“Às vezes, o relógio indica que você está recuperado, mas você acordou cansado e sem disposição. Em outras situações, o aplicativo pode apontar um desempenho abaixo do esperado, mas você se sente bem. A tecnologia oferece informações importantes, mas precisa ser combinada com a percepção do próprio corpo”, destaca o especialista.
Essa atenção também é importante para respeitar os períodos de descanso. Acompanhar o sono, a intensidade dos treinos e a sensação de esforço pode ajudar a perceber sinais de cansaço acumulado. No entanto, nenhum indicador isolado deve determinar a necessidade de treinar ou descansar. Em caso de dor persistente, mal-estar ou sintomas incomuns, vale buscar orientação profissional.
Um treino sem relógio também pode fazer bem
Para quem percebe que está sempre conferindo a tela ou se sente frustrado quando não alcança determinada meta, uma alternativa é experimentar atividades sem registro. Uma caminhada, uma corrida leve ou uma sessão de musculação sem acompanhar cada indicador pode ajudar a recuperar a atenção às sensações do movimento.
“Não tem problema gostar de acompanhar os números. O importante é perceber quando isso deixa de ajudar e começa a atrapalhar. Se você passa a sentir culpa porque não atingiu uma meta ou deixa de aproveitar o treino por estar preocupado com o relógio, vale diminuir as notificações e simplificar o acompanhamento. O exercício precisa fazer parte da sua vida de forma positiva”, explica Twin.
A tecnologia também pode contribuir para a organização da rotina, com lembretes de treino, registros de cargas e acompanhamento da frequência das atividades. A recomendação é priorizar recursos que tenham uma finalidade clara, em vez de acumular informações que acabam não sendo utilizadas.
Mais informação, menos pressão
O uso inteligente dos dispositivos passa por uma regra simples: acompanhar o que faz sentido para cada objetivo, observar a evolução ao longo das semanas e evitar comparações com outras pessoas. Afinal, condicionamento, rotina, sono e objetivos variam de um indivíduo para outro.
“Use o relógio para conhecer melhor o seu treino, não para dar uma nota para você mesmo todos os dias. A tecnologia deve ajudar a tomar decisões melhores, mas não precisa transformar cada atividade em uma competição. No fim, o mais importante é manter a regularidade, respeitar os limites e encontrar uma forma de se movimentar que seja sustentável”, finaliza Twin.
Mais informações: https://BlueFit.com.br
Sobre a BlueFit
A BlueFit é uma das maiores redes de academias do Brasil, com mais de 200 unidades, presença em 20 estados e mais de meio milhão de alunos. Com quase uma década de atuação no mercado fitness, oferece estrutura para diferentes objetivos e perfis de treino. São opções que vão da musculação e cardio a mais de 30 modalidades de aulas coletivas – incluindo lutas, dança, ginástica, bike, mobilidade e core. Com infraestrutura premium, equipamentos de ponta, professores capacitados e unidades com funcionamento 24 horas, a rede prova que há espaço para todos. Afinal, cada corpo é um corpo, e o importante é estar em movimento.
