Da engenheira ao trabalhador da granja: criadores de conteúdo encontram nas lives novas oportunidades de renda
Com trajetórias que vão das vendas aos games, Caren Sales e Ítalo Caleb mostram como estratégia, consistência e relacionamento com comunidades podem gerar renda e aproximar as marcas de seus consumidores
O que começou como uma experiência nas redes sociais se transformou em profissão, fonte de renda e oportunidade de crescimento para criadores de conteúdo que encontraram nas transmissões ao vivo um caminho para empreender no ambiente digital. Em um mercado que conecta entretenimento, relacionamento e vendas, histórias como as de Caren Sales, engenheira da computação que já faturou R$100 mil vendendo cestos de roupa na internet, e Ítalo Caleb, que trabalhou em granjas e já ganhou R$25 mil em apenas uma live de games, mostram como as entradas ao vivo podem se consolidar como um negócio e abrir novas possibilidades profissionais.
Os resultados ajudam a dimensionar esse potencial. Apenas em 2026, Caren já acumulou mais de R$2.67 milhões em volume bruto de vendas (GMV, na sigla em inglês) no TikTok Shop, com renda própria de R$213 mil para ela. Já Ítalo faturou R$216 mil em 2025 com transmissões ao vivo voltadas aos games no Tik Tok Live.
Para Ana Cláudia Mendes, CEO e fundadora da Access – Agência especializada na formação, gestão e monetização de criadores de conteúdo, da qual os dois fazem parte – os números representam uma transformação que vai além do desempenho financeiro. O live commerce e as transmissões de entretenimento ampliam as possibilidades de profissionalização e criam novas formas de relacionamento entre pessoas, plataformas e marcas.
“Estamos falando de um mercado que exige muito mais do que ligar uma câmera e começar a transmitir. É preciso entender o público, desenvolver uma identidade, manter a consistência e construir uma comunidade. Nosso papel é ajudar os criadores a enxergar esse potencial como um negócio, com estratégia, acompanhamento e oportunidades de crescimento”, afirma Ana Cláudia.
Engenheira por formação, criadora de conteúdo por escolha
Caren Sales trabalhava com carteira assinada na área de tecnologia antes de iniciar sua trajetória como criadora digital. Depois de passar por blogs e redes sociais, chegou à Access para trabalhar com conteúdo gerado por usuários, (UGC na sigla em inglês) e, posteriormente, migrou para as lives de vendas no TikTok Shop.
O início foi em junho do ano passado e, já no segundo mês, passou a perceber resultados expressivos. Em setembro, entendeu que o formato poderia se tornar uma atividade profissional consistente. Desde então, mantém uma rotina de transmissões praticamente diárias. “Fiz muitas horas de live sem audiência e sem vendas. As transmissões não sobem de uma hora para outra. Precisamos ser persistentes, criar uma audiência e desenvolver familiaridade com o algoritmo”, conta.
Março deste ano foi seu melhor mês até o momento, com mais de R$500 mil em volume bruto de vendas e mais de R$43 mil destinados para ela. Em uma única transmissão, chegou a faturar R$10 mil.
Seu desempenho também evidencia como produtos aparentemente simples podem conquistar espaço nas vendas ao vivo. Metade da sua renda vem da divulgação de um único item: um cesto de roupas. O resultado demonstra o potencial de produtos do cotidiano quando apresentados de forma contextualizada e conectados às necessidades dos consumidores.
Para Caren, a consistência é um dos principais fatores para quem deseja começar. “Minha dica para quem está começando é: só comece! Com o que você tem em casa mesmo. Todo mundo começou com duas ou três pessoas na live e zero vendas em muitas delas. Comece, se dedique e não desista”, aconselha a criadora de conteúdo que trabalha com categorias como utensílios domésticos, itens de cozinha, beleza e cuidados pessoais em campanhas para marcas como Granado, Natura, Riachuelo, Heineken, Melitta e Coala.
A rotina também exige planejamento fora das transmissões. Mesmo durante viagens, ela leva produtos para continuar fazendo lives e prepara vídeos antecipadamente para manter a frequência de publicações. A atividade, segundo ela, passou a ser encarada como qualquer outro trabalho, com dedicação, organização e compromisso.
Da granja às transmissões ao vivo
A trajetória de Ítalo Caleb também ilustra como as lives podem abrir caminhos profissionais para pessoas que não enxergavam no ambiente digital uma possibilidade concreta de carreira.

Sergipano, ele teve diferentes experiências de trabalho antes de se dedicar integralmente às transmissões, incluindo atividades em uma granja com o pai e trabalhos como vendedor. Apesar de ter formação na área de análise e desenvolvimento de sistemas, enfrentou dificuldades financeiras e chegou a acreditar que suas possibilidades de crescimento eram limitadas.
Suas primeiras lives foram realizadas como forma de entretenimento e interação na área de games. No início, Ítalo ainda não compreendia o potencial de monetização da atividade. A mudança de perspectiva veio quando participou de transmissões com dinâmicas que permitiam receber presentes virtuais e percebeu que aquele universo poderia gerar renda.
“Comecei a enxergar que aquilo poderia me dar dinheiro, principalmente em um momento em que as contas de casa estavam apertadas. No começo, os ganhos eram pequenos e a visibilidade também. Mas fui construindo uma comunidade de pessoas que acreditavam em mim, acompanhavam meu trabalho e gostavam de estar ali”, relembra.
A construção dessa comunidade foi decisiva. Com transmissões frequentes, interação e uma linguagem própria, ele conquistou apoiadores e passou a entender as lives como uma atividade profissional. Em maio de 2024, após um período de resultados modestos, teve uma virada importante. Depois de ganhar cerca de R$700 ao longo de um mês, faturou quase R$3 mil em um único dia. O reconhecimento e a evolução dos resultados fortaleceram sua decisão de investir na carreira digital.
A aproximação com a Access também teve papel importante nesse processo. Inicialmente, ele não sabia exatamente como funcionava o agenciamento de criadores e nem quais oportunidades esse relacionamento poderia proporcionar. O acompanhamento ajudou a compreender melhor a dinâmica profissional das transmissões, identificar caminhos de crescimento e investir em elementos como cenário, formatos e estratégias de interação.
O convite para conhecer a agência presencialmente foi outro marco. Ao viajar de Sergipe para São Paulo, Ítalo teve contato com um universo que, até então, parecia distante de sua realidade. A experiência abriu caminho para novas visitas e, posteriormente, para a decisão de se mudar para Campinas, buscando estar mais próximo da equipe, ampliar seu networking e participar de eventos e atividades do setor. Hoje, ele vive integralmente das lives e construiu uma nova vida na cidade. “Acredito muito na autenticidade. Você precisa criar sua comunidade a partir do que você é, porque personagens caem. É importante ter dedicação, fazer lives com frequência, conhecer pessoas e aprender com quem já está na plataforma, mas sem deixar de construir a própria identidade”, afirma.
Comunidade, estratégia e marcas: os pilares de um mercado em expansão
Embora atuem em formatos diferentes, Caren e Ítalo compartilham características importantes para o desenvolvimento de uma carreira digital: frequência, capacidade de interação, autenticidade e disposição para aprender com os resultados.
Os dois modelos oferecem oportunidades distintas para marcas que buscam novas formas de se conectar com consumidores. No TikTok Shop, a demonstração de produtos em tempo real permite contextualizar o uso dos itens, responder a dúvidas e aproximar a decisão de compra do momento de descoberta. Já no Tik Tok Live, a relação construída entre criador e audiência favorece o engajamento e a formação de comunidades em torno de interesses comuns.
Para Ana Cláudia Mendes, compreender essas diferenças é fundamental para que criadores e empresas desenvolvam parcerias alinhadas aos seus objetivos. “Cada um tem uma identidade, uma comunidade e uma maneira própria de gerar valor. Quando existe estratégia para desenvolver esse potencial, as lives deixam de ser apenas uma transmissão e passam a integrar um modelo de negócio. Para as marcas, isso representa a possibilidade de apresentar produtos e conversar com o público em um ambiente de interação. Para os criadores, é a oportunidade de transformar talento, dedicação e relacionamento em uma atividade profissional”, finaliza a CEO.
Sobre a Access
Agência brasileira especializada na formação, gestão e monetização de criadores de conteúdo, conectando talentos, marcas e plataformas digitais a partir de soluções em creator economy e live commerce. Fundada em Campinas, a empresa atua nacionalmente em parceria com plataformas como TikTok e Shopee. Com mais de 3.500 criadores agenciados, atuação com mais de 100 marcas e uma equipe de mais de 50 colaboradores, a Access desenvolve um ecossistema que alia educação, tecnologia e performance para impulsionar oportunidades de negócios na economia digital.
