Fórum Saúde da População Negra
Falar sobre saúde da população negra também é falar sobre racismo, desigualdade, acesso a direitos e qualidade de vida. É a partir dessa perspectiva que a Unicamp recebe, no dia 20 de maio, o Fórum Permanente “Saúde da População Negra: Vidas Negras Importam”, no Centro de Convenções (CDC), a partir das 9 horas. O evento, promovido pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (ProEEC), surgiu de conversas entre Laís Helena Cardoso, funcionária da Unicamp, e integrante do Instituto Negras em Ação. As inscrições, gratuitas, estão abertas.
Segundo Laís, o tema sempre esteve presente em suas discussões por conta da negligência enfrentada pela população negra. “A gente vê as necessidades da população negra no dia a dia, e o fórum surgiu justamente disso. Nasceu de uma conversa com o professor Fernando Coelho (atual coordenador-geral da Unicamp), que de pronto aceitou a proposta e nos incentivou a transformar essa ideia em um projeto.”
Com participação de funcionários, docentes e estudantes, o fórum inicia suas atividades com Débora de Souza, professora da Faculdade de Enfermagem da Unicamp, e Chyrell D. Bellamy, professora de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale. Para Laís, a presença das pesquisadoras é importante para discutir a saúde da população negra em diferentes dimensões. “A nossa ideia é discutir também saúde mental, porque isso atravessa a vida das pessoas negras o tempo inteiro. Principalmente das mulheres negras da periferia, que são mães, pais, trabalham muito, ganham pouco e ainda precisam fazer outros trabalhos para complementar a renda. Tudo isso gera impacto na saúde mental. Então, quando a gente fala de saúde da população negra, estamos falando de qualidade de vida, de sobrevivência e de dignidade.”
Ao longo do evento, mesas como “Políticas Públicas: avanços e desafios da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra”, “Desafios e estratégias na saúde da população negra” e “Saúde Mental da População Negra” farão parte da programação. Além disso, o fórum contará com uma feira de mulheres empreendedoras. “Queremos mostrar como tudo está conectado: saúde, trabalho, renda, saúde mental e qualidade de vida”, explicou Laís.

Entre os convidados palestrantes estarão Eunice de Souza, Isabella Aparecida da Silva (Cida), Marcela Reis, Tereza Raymundo, Ademir José da Silva, Aparecida do Carmo Miranda Campos (Tida), Rubens Bedrikow (assessor docente da ProEEC), Maria Ester Januário, Egídio Nascimento, Renata Luz, Marília Isabel Araújo, Elizabete Cardozo e Agnes Raquel Camisão.
Laís reforça que a participação de diferentes setores da universidade e da sociedade é fundamental para ampliar o diálogo sobre o tema. “Já tivemos outros fóruns sobre essa temática na Unicamp, mas isso precisa acontecer constantemente. Não é uma questão pronta ou resolvida. A desigualdade racial também está ligada à desigualdade financeira e à falta de oportunidades. Então a gente precisa continuar debatendo e construindo políticas que realmente façam diferença.”
Ela também destaca que o debate sobre saúde da população negra passa pelo enfrentamento das desigualdades estruturais. “É uma desigualdade muito injusta. E também não é coincidência: é uma negligência estrutural. Então a gente precisa falar disso de todas as formas e em todos os lugares, para que essa negligência vá terminando. É um passo grande, um caminho longo, mas precisa começar. Se não começar nunca, nada muda.”