Viaduto da Vila Real garante segurança viária e abre caminhos para a integração e o crescimento econômico de Hortolândia
Obra praticamente acaba com o risco de acidentes na ferrovia, traz mais tranquilidade aos moradores do entorno e conecta de forma mais eficiente a região do Jardim Amanda, a Região Central e a SP-101
A inauguração do viaduto Monsenhor Décio Ravagnani deixa no passado o histórico de conflito entre trens, veículos e pedestres em Hortolândia. A estrutura, liberada pela Prefeitura para o tráfego, nesta segunda-feira (13/04), sobrepõe a ferrovia e cria um canal viário de integração eficiente na região central da cidade, servindo de ferramenta para aquilo que a Administração Municipal tem como lema: cuidar das pessoas. A luta de mais de 40 anos agora se torna um marco em mobilidade urbana, num dia que entrou para a história de Hortolândia.
A partir de agora, os moradores do entorno terão mais tranquilidade com o fim dos acidentes e dos alertas sonoros do trens, os motoristas vão ter mais agilidade, pois o trânsito de veículos ganha 3 horas livres a mais na região central, tempo que antes era necessário para bloqueios na passagem em nível, e a cidade ganha um caminho com maior potencial para a circulação da riqueza e atração de novos empreendimentos. O investimento reforça a capacidade do setor ferroviário, tão importante para o Brasil e, em especial, para Hortolândia, que emprega milhares de trabalhadores neste setor.
A inauguração do viaduto é exemplo de uma política de desenvolvimento urbano que usa a integração viária como condutor do desenvolvimento econômico e assim como a construção das obras do Superviário, da Ponte Estaiada, do viaduto do Rosolém, do viaduto do Nova Europa, do Corredor Metropolitano, a duplicação da Avenida São Francisco de Assis, dentre tantas outras, proporcionaram um ganho na qualidade de vida e a valorização de suas respectivas regiões.
A construção do viaduto, anunciada em 2020 pela empresa Rumo, que administra a linha férrea, como contrapartida à renovação da concessão da malha ferroviária paulista, recebeu investimentos de R$ 57 milhões. De acordo com dados da Prefeitura, a obra teve início em 2024 e incluiu a construção da estrutura principal com 240 metros de extensão, 21 metros de largura e quatro pistas, duas em cada sentido. Nas laterais da estrutura foram implantados passeios, sendo que um dos lados possui ciclovia. Uma rotatória permite o acesso à ponte por meio da avenida Santana (Jd. Amanda) e da rua Argolino de Moraes (centro), até a avenida São Francisco de Assis (Vila Real).
O legado político e o histórico de luta popular para que o viaduto se tornasse realidade foram lembrados pelo prefeito José Nazareno Zezé Gomes, durante a inauguração. “Aqui (na Paróquia ao lado do viaduto) iniciaram as primeiras reuniões para emancipar essa cidade. Essa obra liga ao futuro e ao progresso de Hortolândia. A gente pede pra Deus, faz nossas orações e lembra do passado: lembra do prefeito Ângelo Perugini, que deixou sua marca na nossa história; lembra do Monsenhor Décio, que lutava junto, brigava, participava das reuniões com a comunidade. Essa é uma luta antiga. Passaram por aqui outros prefeitos e eu herdei este legado, para ajudar a construir essa cidade. Tudo isso só se tornou realidade porque iniciamos um projeto e não arredamos o pé. Fizemos pontes, viadutos e sobretudo, cuidamos das pessoas. Hoje é um dia histórico para a cidade de Hortolândia”, celebrou o prefeito Zezé Gomes.
O Ministro dos Transportes, George Santoro, esteve presente no evento e mencionou o papel de destaque ocupado por Hortolândia na indústria ferroviária, com mais de 6 mil empregos na cidade, e a importância deste setor para o desenvolvimento do país, do ponto de vista econômico e social. “O Governo Federal tem trabalhado para ampliar o transporte ferroviário com objetivo de integrar desenvolvimento da economia, da infraestrutura e social. Lançamos, no ano passado, o maior ciclo de concessões da história, com R$ 150 bilhões em investimento previsto para este ciclo. Nossa meta é chegar a 35% de participação do setor ferroviário no transporte de cargas no Brasil. Obras como a deste viaduto são importantes porque representam o objetivo maior dos nossos governantes, que é cuidar das pessoas, olhar a segurança de cada um dos moradores e ver como isso vai melhorar a vida deles. Pequenas e grandes obras, todos os dias, fazem com que a gente consiga ter como resultado final promover desenvolvimento social e trazer infraestrutura urbana, de forma integrada”, ressaltou Santoro.
Também estiveram presentes na inauguração do viaduto Monsenhor Décio Ravagnani: o superintende de Transportes Ferroviários da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Alessandro Baumgartner; o CEO da Rumo, Pedro Palma; a vice-presidente de Relações Institucionais da Rumo, Natália Marcassa; o CFO da RUMO, Guilherme Machado; o gerente executivo de Relações Institucionais da Rumo, Rodrigo Verardino; o superintendente de Relações Institucionais do BNDES, Felipe Borim; o CEO da Brado Logística, Luciano Jonhsson; o diretor de operações da Brado Logística, Ederson Padilha; o deputado federal, Orlando Silva; a deputada estadual, Ana Perugini; o deputado estadual, Dirceu Dalben; o pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, padre Tiago Luziano Leite; além de autoridades locais de Hortolândia e região.
Segurança viária
O novo viaduto na Vila Real corrigirá décadas de improviso urbano, abrindo uma rota direta entre regiões importantes de Hortolândia e impulsionando o desenvolvimento econômico da cidade. Mas, sobretudo, a estrutura vai preservar vidas, evitando acidentes na passagem em nível. O superintende de Transportes Ferroviários da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Alessandro Baumgartner, lembrou da triste estatística de acidentes graves na linha férrea em Hortolândia. “Uma das questões mais importantes para o bom funcionamento das ferrovias é a segurança das pessoas. Trem e gente não costumam combinar. Aqui, embaixo deste viaduto, havia uma média de 4 a 5 acidentes por ano. Por isso, apesar de este viaduto ser uma obra viária, é também uma intervenção de segurança ferroviária”, comentou, citando que o viaduto Monsenhor Décio Ravagnani é uma das mais de mil intervenções no Brasil realizadas por conta das negociações dos contratos ferroviários.
Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana da Prefeitura, antes da construção do viaduto, a área recebia o fluxo de 22 mil veículos por dia. Agora, a estimativa é de ampliação, com a previsão de tráfego de 30 mil veículos por dia. O projeto de obras completo compreende, ainda, intervenções que serão realizadas após a liberação do tráfego de veículos pela estrutura. É o caso da construção de um muro paralelo à linha férrea, impedindo a travessia pela linha do trem. Outra etapa posterior da obra será o prolongamento da rua Sebastião de Paula (Centro Pastoral Dom Bruno Gamberini) até a avenida Amélia Basso Breda (rua da feira), passando por baixo do novo viaduto.
“A população, num primeiro momento, acha que o muro de contenção atrapalha. Mas ele garante ainda mais proteção. A gente atua para que a segurança ferroviária seja o principal padrão de comportamento. É importante que as pessoas tenham consciência do que buscamos junto à Prefeitura, que vai além de trazer desenvolvimento. Esta obra é ganho efetivo para a cidade”, concluiu Baumgartner.
“A Rumo investiu quase R$ 8 bilhões em aumento da capacidade ferroviária com a renovação da concessão, com objetivo de saltar de 35 milhões toneladas transportadas/ano para 75 milhões de toneladas/ano até 2030. Neste processo, melhoramos as ferrovias, mas parte da solução também está no uso de trens maiores e mais pesados”, justificou o CEO da Rumo, Pedro Palma. O executivo exemplificou que uma composição de 135 vagões e 3 locomotivas tira 300 caminhões de circulação das estradas. “Por outro lado, quando essa composição passa dentro de uma comunidade, como é o caso de Hortolândia, são 2,5 km de trens. A gente reconhece o transtorno que é. Aqui, são 3 horas por dia de interrupção no trânsito. A partir de agora, serão 3 horas liberadas”, completou Palma, ressaltando que desenvolvimento ferroviário e segurança devem caminhar juntos.