Cordelista Samuel de Monteiro lança livro “Será que foi assim?” com um sarau poético no sábado 25/04, em Campinas

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Evento será na biblioteca municipal “Joaquim de Castro Tibiriçá”, no Bonfim, e contará com microfone aberto e participação de convidados 

A biblioteca pública municipal “Joaquim de Castro Tibiriçá”, conhecida como Biblioteca do Bonfim, recebe no sábado (25/04), das 14h às 17h, o evento de lançamento do livro “Será que foi assim? (Cordéis Alumbrados)”, do cordelista, poeta e compositor Samuel de Monteiro. Além de poder adquirir exemplares autografados, o público poderá participar do sarau poético que contará com as presenças do poeta Rafa Carvalho e do rapper Renan Inquérito, com microfone aberto a quem quiser declamar poesias e cordéis. A entrada é gratuita. 

Sobre o livro

“Será que foi assim? (Cordéis Alumbrados)” reúne 16 poesias populares (literatura de cordel) repletas de fantasia e mistério, destinadas principalmente ao público juvenil. Samuel de Monteiro explica que entre as mais de cem histórias que já escreveu e publicou como cordéis, escolheu para este livro as que mais fizeram sucesso com o público de jovens e crianças a partir dos 12 anos de idade. O título “Será que foi assim?” funciona como um convite do autor para o leitor brincar com a dúvida e com a imaginação – um patrimônio humano valioso em um mundo marcado pela hiperestimulação de imagens prontas acessadas cotidianamente pelas telas junto com a disseminação de certezas nas bolhas das redes sociais.

Um dos objetivos deste livro é aproximar o público em geral da literatura de cordel e de histórias que encantam, por sua natureza ou por terem sido contadas há muito tempo, de diversas formas e que ainda pairam no imaginário de nossa gente. O papel do cordelista, como aprendi há mais de quarenta anos, é contar histórias e, principalmente, perpetuar a tradição popular das narrativas fantásticas. Aquelas que, presenciávamos e participávamos, nos interiores mais diversos deste País. De Norte a Sul. Por isso, o meu desejo é que se encantem e perguntem intrigados: ‘Será que foi assim?’”, explica o autor.

Editado pela editora Encruza, o livro preserva a estética da literatura de cordel desde as ilustrações em xilogravuras do mestre J. Borges e de seus filhos Pablo e Bacaro Borges, até a escolha do projeto gráfico realizado por Ana Muriel, com duas cores e adotando a diagramação como a dos cordéis. A xilogravura Cordelista, que abre a apresentação do autor, foi feita por J Borges especialmente para o amigo Samuel de Monteiro, que guarda consigo a matriz com reverência ao artista, cordelista, poeta e um dos mais famosos xilogravuristas do Brasil.

Cultura popular de geração em geração

Samuel de Monteiro é cordelista, poeta e compositor. Nasceu na cidade de Monteiro, localizada no Cariri Paraibano. De sua família herdou a vocação de inventar e contar histórias e fazer com que elas cheguem ao público. Pelo menos quatro histórias do livro são frutos da memória das histórias de medo e mistério muito bem contadas pelo seu avô materno, Zé Quintanha: “O uivo da lua cheia”, “O cangaceiro atormentado”, “O segredo da botija” e “A noiva misteriosa”.

“Essas histórias que eu escutava de meu avô, no terreiro do sítio Angiquinho, são do tempo que não existia energia elétrica, não havia muitos recursos e era preciso cuidar para que as crianças não se embrenhassem na mata, porque tinha risco de encontrar onça, topar com cobra, um teiú maior. Então, essas histórias de medo, mistério e suspense ajudavam a fazer com que a gente ficasse por perto. A forma como meu avô Zé Quintanha contava as histórias, tinha elementos bem concretos, como por exemplo, quando falava ‘embaixo do angico tinha uma pedra assim’ – eu sabia exatamente onde é que a coisa tinha acontecido”, lembra Samuel de Monteiro.

Três gerações de artistas populares

Em Campinas desde 1990, Samuel de Monteiro celebra  neste primeiro livro todas as referências culturais que vivenciou em família e que o levaram a direcionar sua carreira à valorização, preservação e difusão da cultura popular nordestina. 

A mãe de Samuel, Creusa Quintans, foi artista de rua e de feira e hoje atua como figurinista. Uma das histórias (“A Grande Madame Creusa e o Professor Gondim”) conta sobre suas incríveis habilidades de telepatia e exibições nas feiras junto com seu pai, o poeta, mestre repentista e artista popular Asa Branca do Ceará (José Geovaldo Gondim), que foi quem o ensinou a rimar em brincadeiras e desafios. Os avós de Samuel por parte de pai também foram artistas – a avó poetisa e o avô repentista. 

Além das referências às paisagens sertanejas, Samuel de Monteiro se inspira nos temas cotidianos e sociais para criar histórias repletas de encantamento e graça. Em uma delas, o Saci resolve conhecer o Halloween americano, atendendo a um convite da Bruxa Morgana. A aventura do Saci é fazer esta viagem como um humano, tirando passaporte na Receita Federal para viajar de avião. Numa outra história, Morgana resolve visitar o seu amigo Saci e conhecer a famosa “Festa do Saci” em São Luiz do Paraitinga (SP).

Já em “A lenda dos cavaleiros da água”, a inspiração de Samuel foi uma viagem com seus filhos transformando-os em cavaleiros encantados, caçadores de nuvens, a levarem chuva ao sertão. Este cordel, inclusive, virou curta-metragem.

Rafa Carvalho, que assina o texto de apresentação editorial da Encruza, descreve bem a proposta de Samuel de Monteiro neste livro: “Aliás, gente: este livro é um cordel. Entendem? A tradição se chama assim pelos cordéis, barbantes ou semelhantes que se esticavam pelas feiras pendurando os livretos para melhor expô-los ao público. Tão vendo? Samuel aqui estica um varal inteiro. Todo neste livro.”

O livro conta também com os prefácios de dois grandes amigos de Samuel: o cordelista Chico Pedrosa (90), um grande mestre e Fernando Macedo, cordelista e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp. 

Projeto contemplado pelo FICC

Este projeto foi contemplado e patrocinado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas – FICC 2024, pertencente à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Campinas. O FICC tem como finalidade fomentar a produção artística local. Dos 1.000 exemplares, 500 ficarão com a Secretaria de Cultura como contrapartida para distribuição nas bibliotecas públicas e escolas. 

Além dos livros, Samuel de Monteiro incluiu três oficinas gratuitas “Da Rima ao Verso”, que serão realizadas em maio, sendo duas delas no Espaço Cultural Casa do Pavão (inscrições aqui) e uma na biblioteca “Joaquim de Castro Tibiriçá” – mesmo local onde o livro será lançado (inscrições aqui). A escolha da biblioteca para o lançamento de seu primeiro livro e para a oficina partiu da relação afetiva que Samuel tem por este equipamento público de cultura. Morador do Bonfim, costumava levar seu filho para usufruir das leituras neste espaço.

Ele também expõe seus cordéis na feira hippie, na praça Imprensa Fluminense, no Cambuí, todos os domingos. Ele conta que a conquista deste espaço é uma forma de honrar as tradições de sua família de origem e uma promessa de continuidade do trabalho. Fui parceiro de meu pai por muitos anos na poesia. Ele faleceu em 2023 e lá em Monteiro, ele trabalhou na feira até os 80 poucos anos, deixando esse legado como defensor das culturas. Fizemos muitas ações lá e aqui em prol da literatura de cordel.”, conta Samuel que começou a escrever seus cordéis aos 13 anos. 

Mais sobre o autor

Samuel de Monteiro é produtor cultural, compositor e cordelista com atuação voltada à valorização, preservação e difusão das culturas populares nordestinas. Filho de migrantes nordestinos, desenvolveu sua trajetória artística e cultural a partir da tradição da oralidade, da poesia popular e dos saberes transmitidos no ambiente familiar e comunitário.

Como cordelista e compositor, Samuel trabalha a palavra como instrumento de memória, dialogando com a tradição do cordel e do repente, ao mesmo tempo em que reconhece seus desdobramentos contemporâneos. Sua produção se insere na continuidade dos saberes populares, compreendidos como práticas culturais vivas, transmitidas entre gerações e constantemente reinventadas. Seu trabalho como produtor cultural articula criação artística, formação cultural e ações de difusão, buscando ampliar o acesso à cultura, valorizar mestres dos saberes tradicionais e promover processos de transmissão cultural.

SERVIÇO

Lançamento  do livro “Será que foi assim (Cordéis Alumbrados)” de Samuel de Monteiro (Editora Encruza) 
Tarde de autógrafos com autor e sarau poético
Data: 25/04/2026
Horário: Das 14h às 17h
Local:  Biblioteca Pública Municipal “Jorge de Castro Tibiriçá”, localizada à Praça Ópera Salvador Rosa, s/n. – Bonfim – CEP 13070-129. Telefone: (19) 3733-7347 (Whatsapp)
Entrada gratuita

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